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A Crítica
Opinião

Francisco: O Papa da Sustentabilidade

Seu pontificado foi marcado por um forte compromisso com o cuidado da criação e a justiça socioambiental, integrando essas preocupações ao magistério e à ação pastoral da Igreja.

Publicado em 21/04/2025 às 19h47
Francisco: O Papa da Sustentabilidade
Foto: Reprodução

O Papa Francisco é amplamente reconhecido como o papa mais ambientalista da história da Igreja Católica. Seu pontificado foi marcado por um forte compromisso com o cuidado da criação e a justiça socioambiental, integrando essas preocupações ao magistério e à ação pastoral da Igreja.

Durante seu pontificado, o Papa Francisco desenvolveu diversas causas ambientais, sempre integrando a preocupação ecológica com a justiça social, especialmente em favor dos pobres e dos mais vulneráveis. Entre as causas, pode-se destacar o combate às mudanças climáticas e à cultura do descarte, defesa da ecologia integral, da proteção à Amazônia, de uma economia ecológica, da educação ambiental e da biodiversidade.

Defendeu ações urgentes para reduzir a emissão de gases de efeito estufa e responsabilizou o modelo econômico baseado na exploração excessiva dos recursos naturais. Ensinou que cuidar da natureza é inseparável de cuidar das pessoas, sobretudo as mais pobres. Condenou a exploração predatória da região e promoveu um modelo de desenvolvimento sustentável e respeitoso com as culturas tradicionais.

Papa Francisco também o incentivou a criação de uma economia a serviço da vida, que respeite os limites da Terra e promova a dignidade humana. Apoiou iniciativas como a Economia de Francisco, que reúne jovens economistas e empreendedores com foco em sustentabilidade e inclusão. Chamou os fiéis a uma “conversão ecológica”, que envolve mudanças no estilo de vida, no consumo e no relacionamento com a natureza.

Francisco alertou sobre o desaparecimento de espécies, a degradação dos ecossistemas e a perda de biodiversidade. Criticou a “cultura do descarte”, em que pessoas e coisas são tratadas como descartáveis, incluindo a própria natureza.

A encíclica Laudato Si’ (2015) é considerada um marco na doutrina social da Igreja. Nela, o Papa Francisco critica o consumismo e o desenvolvimento irresponsável, fazendo um apelo à mudança e à unificação global para combater a degradação ambiental e as alterações climáticas. Ele introduz o conceito de “ecologia integral”, que propõe uma abordagem que integra as dimensões humanas e sociais, indissoluvelmente ligadas à questão ambiental.

Em Querida Amazônia (2020), o Papa expressa quatro “sonhos” para a região: social, cultural, ecológico e eclesial. Ele enfatiza a necessidade de proteger os povos indígenas e o ecossistema da região, promovendo uma Igreja com rosto amazônico e respeitosa das culturas locais.

Além desses documentos, o Papa Francisco também destacou que o compromisso com o cuidado da casa comum é parte integrante da vida cristã, e não uma opção secundária.

Portanto, o Papa Francisco não apenas abordou questões ambientais de forma inédita no magistério papal, mas também mobilizou a Igreja e a sociedade global para uma conversão ecológica, consolidando-se como o papa mais ambientalista da história.