Francisco, um missionário determinado
A morte do Papa Francisco deixa um tipo de vazio à Igreja Católica e desafios à instituição quer na renovação pela qual o sumo pontífice lutou até o último dia de sua vida quanto no posicionamento dos bispos, padres e freiras
A morte do Papa Francisco deixa um tipo de vazio à Igreja Católica e desafios à instituição quer na renovação pela qual o sumo pontífice lutou até o último dia de sua vida quanto no posicionamento dos bispos, padres e freiras em favor da igreja andarilha nas ruas do mundo, junto aos mais pobres.
O vazio será experimentando tanto pelo longo papado, de 12 anos, quando os católicos e o mundo habituaram-se a ouvi-lo, a vê-lo, a ter interesse em saber o que o papa tinha dizer sobre temas delicados; ou a ler seus textos; a acompanhar as suas celebrações; as suas participações junto aos governos de diferentes regiões do mundo pedindo o fim de conflitos e de guerras.
O primeiro para latino-americano tornouse uma das figuras mais carismáticas e, internamente, a Igreja Católica se beneficiou de um sacerdote de posições firmes, atento aos dramas do mundo, às condições críticas da própria igreja que dirigia. Mudou o que pode e tentou mudar mais, como na abertura maior à participação das mulheres, nos direitos da comunidade LGBTQUIA+.
Afeito ao diálogo, o papa manteve suas posições e valorizou os encontros para conversar, buscar saídas diante dos confrontos e dos conflitos. Colocou a questão ambiental como pauta às organizações, aos governos e à sociedade sem minimizar a responsabilidade da comunidade católica nesse processo que passou, a partir de alguns documentos papais – “Querida Amazônia” e “Somos todos irmãos” – a trabalhar uma série de ações de formação em centenas de comunidades nas capitais e nas demais cidades, comunidades.
As posições de Francisco nesses documentos ajudaram a movimentar a Igreja fazendo-a mais ativa. É essa Igreja em esperança que pergunta sobre como será o dia seguinte. O sucessor de Francisco terá interesse em seguir esse caminho? Estará disposto a enfrentar as pressões que o papa enfrentou, as agressões internas e externas exatamente por pregar mudanças e maior vivência da igreja com os cristãos mais vulneráveis do mundo?
Este é o momento de prestar homenagens Francisco, de agradecer pelo cuidado com que tratou as dores do mundo católico e não católico e, para a América Latina, de aprofundar conhecimentos sobre as estratégias missionárias do papa em chamar atenção e buscar somar com os povos dessa região e da pan-amazônia.