Futuro da aviação precisa ser sustentável
Estima-se que, atualmente, a aviação represente cerca de 2,5% das emissões globais de CO₂.
Em meio à crescente urgência climática e ao imperativo global de reduzir emissões de gases de efeito estufa, o setor de aviação se depara com um de seus maiores desafios: como continuar conectando o mundo sem comprometer ainda mais o planeta.
Os combustíveis fósseis, há décadas a base da aviação comercial, são responsáveis por uma significativa parcela das emissões de dióxido de carbono (CO₂). Estima-se que, atualmente, a aviação represente cerca de 2,5% das emissões globais de CO₂.
Entre os diversos tipos de combustíveis fósseis, o querosene de aviação é um dos mais poluentes. Sua queima em grandes altitudes, além do CO₂, libera partículas e outros gases que intensificam o efeito estufa. A substituição desse insumo por fontes sustentáveis é uma necessidade que ultrapassa as fronteiras nacionais e exige cooperação técnica, científica e política em nível global.
Nesse cenário, ganham relevância iniciativas como a da Organização Internacional da Aviação Civil (OACI), que deu um passo importante ao aprovar recomendação técnica inovadora sobre os Combustíveis Sustentáveis de Aviação (SAF). A decisão reconhece práticas agrícolas como os cultivos alternados e consecutivos. Essa mudança abre caminho para a certificação de novos tipos de biomassa como matéria-prima para a produção de SAF, especialmente nos países tropicais, como o Brasil.
O Brasil, inclusive, saudou com entusiasmo a decisão da OACI, destacando seu potencial como protagonista na produção de biocombustíveis. O reconhecimento formal de práticas agrícolas adaptadas às condições tropicais significa um avanço não apenas tecnológico e ambiental, mas também social.
O parecer técnico, confirmado pelo Comitê de Proteção Ambiental da Aviação, estabelece metodologias de contabilidade de carbono mais ajustadas à realidade tropical, valorizando a biodiversidade e a eficiência dos cultivos. Essa adequação é crucial para assegurar que os critérios ambientais não se tornem barreiras injustas ao comércio ou à inovação sustentável.
A produção de SAF ainda é incipiente no mundo, porém é estratégica para que o setor alcance a meta de neutralidade de carbono até 2050, conforme os compromissos assumidos no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima.