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A Crítica
Opinião

Grito em defesa da vida no Brasil

Publicado em 06/09/2020 às 14h26 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h04
Grito em defesa da vida no Brasil

Nesta segunda-feira (7 de setembro) realiza-se, em todo o Brasil, a 26ª edição do Grito dos e das excluídos/as. Organizados em torno do tema “Vida em primeiro lugar” e com o lema “Basta de miséria, preconceito e repressão! Queremos trabalho, terra, teto e participação”, milhares de brasileiros estão mobilizados para chamar atenção da sociedade e dos governos federal, estaduais e municipais sobre a condição de vida da maioria dos brasileiros e os ataques oficiais que fragilizam a democracia nacional.

Nascido em 1994, como uma das propostas da 2ª Semana Social Brasileira, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Grito dos Excluídos tornou-se um projeto coletivo que hoje envolve diretamente as pastorais sociais da Igreja Católica, organizações do movimento social, mulheres, trabalhadores, indígenas, negros, quilombolas nas capitais e nas demais cidades. O gripo se expressa por meio de uma articulação de caráter nacional e intermunicipal com enorme capacidade criativa na forma de posicionamento onde as culturas locais, a fé e a esperança são acionadas para demarcar maneiras de gritar.

Este ano, em decorrência da pandemia da Covid-19, serão feitos muitos atos por meio digital, lives e, em cidades onde os casos de contaminação do novo vírus não são registrados, pequenas caminhadas, com atenção à prevenção. Há cidades que decidiram trabalhar o tema do gripo no sábado, outras no domingo e a maioria das ações amanhã.  O grito se constitui em instrumento de avaliação e posicionamento crítico sobre a administração pública brasileira, as ameaças que vem sendo consumadas no meio ambiente, a violência contra mulheres e o avanço do feminicídio, a agressão e violação aos povos indígenas, à população negra, às crianças e à falta de política pública para as juventudes brasileiras.

O avanço do desemprego e a postura governamental que encolheu a participação popular nas discussões a respeito de medidas que estão sendo tomadas e ou anunciadas pelo governo são alguns dos destaques no grito deste ano. Na Amazônia, a situação de vulnerabilidade dos povos indígenas, aprofundada pela Covid-19 e pelas ações de governo, de garimpeiros e exploradores da floresta, são algumas das motivações para o ato dos e das excluídos/as deste ano. A manifestação cresce em importância para melhorar a democracia brasileira e como conduta coletiva em defesa da manutenção dos direitos sociais conquistados e para que outros sejam consolidados.