‘Guerra da vacina’ longe de acabar
Com os Estados Unidos em vias de liberar o uso emergencial da vacina da Pfizer, o Reino Unido já vacinando grupos prioritários e vários outros países em rápida preparação para iniciar a vacinação, cresce no Brasil a pressão pela vacinação contra covid-19. O problema é que a falta de comando na esfera federal – que tem sido regra desde o início da pandemia – criou um ambiente de incertezas que só se agrava.
Com o País se aproximando da triste marca de 180 mil mortos pela doença, hospitais cada vez mais lotados – o que força a reativação de hospitais de campanha em alguns Estados -, não é possível afirmar que a pandemia está “no finalzinho”. Infelizmente, não está, e não se pode dizer quando estará. O que se pode afirmar com certeza é que só haverá alguma normalidade quando uma ou mais vacinas seguras estiverem disponíveis para imunização da população brasileira. Especialistas ressaltam que, mesmo com a vacinação, a queda no número de casos não será imediata.
Apesar da gravidade da situação, a politização da pandemia permanece. Com a Anvisa aparelhada pela presença de militares que nada tem a ver com a área de vigilância sanitária, cresce o temor de que os critérios técnicos sejam substituídos por motivações políticas. O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, diz que vai cobrar celeridade da Agência na avaliação das vacinas disponíveis – como se o fato de o País enfrentar uma das maiores crises sanitárias de sua história não fosse motivo suficiente para tal celeridade.
Sem sinais claros e um plano conciso de vacinação em âmbito federal, os governadores se sentem motivados a buscar alternativas para proteger suas próprias populações, o que alimenta ainda mais a politização da crise. O cabo de guerra entre o Planalto e governadores é extremamente prejudicial na medida em que alimenta dúvidas na população a respeito da própria necessidade de vacina. Já começam a se multiplicar nas redes sociais e grupos de WhatsApp uma série de fake news que objetivam minar a credibilidade da imunização. É um movimento que já vinha ganhando corpo bem antes da pandemia, e que obtém acolhimento nas mesmas camadas sociais que admitem dúvidas sobre a forma da Terra. Todo esse contexto turva as expectativas do País em relação à superação da crise sanitária em 2021.