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A Crítica
Opinião

Indígenas ocupam Brasília

Este ano, o 19° ATL ocorrerá de 24 a 28 de abril, embora desde já grupos esteja acampados e outros em caravanas seguindo rumo a Brasilia

Publicado em 18/04/2023 às 09h22
Indígenas ocupam Brasília
Foto: Agência Brasil

O Acampamento Terra Livre (ATL), organizado pela Articulação dos Povos Indigen do Brasil (APIB), é um dos maiores encontros político-cultural de povos indígenas América Latina. Ocorre anualmente em Brasília e se caracteriza na realização inúmeras atividades desde reuniões, grupos de estudos, apresentação de proposta reivindicações, protestos, feiras artesanais e culinárias, músicas e danças que coloca de maneira singular uma parte do Brasil em visibilidade maior.

Este ano, o 19° ATL ocorrerá de 24 a 28 de abril embora desde já grupos esteja acampados e outros em caravanas seguindo rumo a Brasilia. São indígenas de vária regiões do País. O tema é “O Futuro Indígena é hoje. Sem demarcação não h democracia” e reafirma a histórica luta desses povos pela confirmação legal de seu territórios e garantia de manutenção desses espaços.

É um ATL com novidades históricas. Os indigenas têm em 200 anos de independência do Brasil um ministério indigena, conduzido por uma mulher indigena e, na presidência da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), outra mulher indigena. Se as duas situações são festejadas, na base, o quadro é critico em diversas áreas e o que ainda vigora se constitui em ameaças reais.


Um sistema de destruição dos indigenas, adotado há muito tempo como política de Estado, ganhou força e poder nos últimos quatro anos. Conquistas desses povos, a partir da Constituição de 1988, foram ignoradas, e tornaram-se atos de rotina as ações de desmonte de programas e de instâncias governamentais responsáveis pelo acompanhamento e atendimento das demandas dos indigenas em saúde, educação, territórios, valorização das culturas.

Na Amazônia, onde vive a maior parcela dos indígenas, o efeito dessas iniciativas pode ser visto na tragédia a que foram submetidos os ianomamis, os ataques no Vale do Javari, os assassinatos no rio Abacaxis, a ocupação de ríos por comboios e balsas para garimpo e o avanço de garimpeiros, patrocinados e armados, em áreas que deveriam ser protegidas pelo governo.

As ameaças permanecem ativadas e exigem do governo vigilância e reação permanentes. A reestruturação de programas e departamentos não se dará em curto prazo diante do tamanho da destruição realizada, requer recursos financeiros, pessoal qualificado e requalificado, equipamentos tecnológicos que funcionem e enorme capacidade de articulação dentro do próprio governo federal onde forças diferentes atuam. Bem como restabelecer o diálogo com os povos indigenas e os movimentos indigenas também com interesses diferentes.