Indústria das invasões
Amanhã começa oficialmente o período de campanha eleitoral, mas as velhas práticas que desde sempre acompanham essa fase já são visíveis. Historicamente, as campanhas são marcadas pela intensificação das invasões em todas as zonas da capital. A promoção das invasões é uma estratégia criminosa usada por candidatos em busca de votos, e também de lideranças inescrupulosas que contam com a inércia do poder público – mais preocupado com a autopromoção nesse período e evitando atos como reintegração de posse – para instigar as invasões.
Uma das mais recentes está em fase inicial em terreno próximo da fábrica da Coca-Cola, no bairro Novo Israel. A cada dia novos barracos são erguidos no local, conforme constatou a reportagem do Jornal A CRÍTICA. O pior é que, nesse caso específico, Prefeitura ou governo do Estado nada podem fazer, uma vez que se trata de uma propriedade particular. O proprietário precisa recorrer à Justiça em busca de uma ordem de reintegração.
Na Zona Leste de Manaus, outra invasão está em franco desenvolvimento nos limites do bairro Jorge Teixeira, com inúmeros barracos de madeira montados de qualquer jeito, destruindo áreas verdes e ameaçando igarapés. O mesmo ocorre em áreas do Distrito Industrial de Manaus, onde comunidades como Nova Vitória, seguem expandindo sobre terrenos pertencentes à Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), que pouco ou nada faz para evitar o avanço predatório.
É verdade que esse movimento está relacionado, em grande parte, ao déficit habitacional em Manaus, mas não se pode ignorar a má-fé daqueles que já possuem moradia própria e invadem apenas para ampliar o próprio patrimônio às custas do meio ambiente ou da propriedade alheia.
O problema é que as invasões estão muito enraizadas na história da capital, que cresceu de forma desordenada por meio desses movimentos. Para acabar com isso, seria preciso que o combate às invasões se tornasse uma política de Estado, com atuação imediata logo no nascedouro de tais comunidades. Depois, com a população já instalada, a retirada forçada acaba causando um problema social. Paralelamente, a questão habitacional, que nunca foi tratada com a seriedade que merece, precisa entrar o planejamento estratégico do poder público.