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A Crítica
Opinião

Inflação e dívidas

A inflação elevada associada ao endividamento da população pode ter vários impactos negativos na economia e na sociedade

Publicado em 10/02/2023 às 08h58
Inflação e dívidas
Foto: Agência Brasil

Em janeiro, a inflação apresentou alta pelo quarto mês consecutivo no País, com elevação de 0,53%, puxada pelos preços dos alimentos. Paralelamente a isso, temos que 78% das famílias brasileiras estavam endividadas em janeiro, segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). É uma combinação extremamente danosa às finanças das famílias. 

A inflação elevada associada ao endividamento da população pode ter vários impactos negativos na economia e na sociedade. Alguns dos principais impactos incluem a redução do poder de compra; se a inflação aumenta, os preços dos bens e serviços também aumentam, o que significa que as pessoas têm menos dinheiro para gastar. Isso pode levar a uma redução na demanda por bens e serviços, o que por sua vez pode desacelerar o crescimento econômico.

Outro efeito negativo é o aumento da taxa de juros, o que significa que os empréstimos ficam mais caros. Isso pode ser particularmente problemático para as pessoas que já estão endividadas, pois eles precisam pagar mais juros sobre suas dívidas.
Há também aumento da incerteza econômica. A inflação elevada e o endividamento das famílias podem levar a incertezas econômicas, o que pode desestimular o investimento e o empreendedorismo. Isso sem falar no agravamento da desigualdade social. Inflação e endividamento  podem afetar desproporcionalmente as pessoas mais pobres e de baixa renda.

Em resumo, a inflação elevada associada ao endividamento da população pode ter efeitos negativos significativos na economia e na sociedade, e é importante que as autoridades econômicas tomem medidas para mitigar esses impactos e evitar um cenário recessivo.
Não é hora de arroubos populistas, como colocar em xeque a autonomia do Banco Central. Pelo contrário, a independência da autoridade é uma conquista do País, que deve ser preservada exatamente porque indica ao mundo que nossa economia não está alinhada aos caprichos do governo da vez.

Retirar a autonomia do Banco Central seria um retrocesso com consequências danosas à credibilidade internacional do País, já tão fustigada nos últimos quatro anos. Coerência e bom senso é do que precisamos agora mesmo. A nova gestão federal precisa reconhecer os avanços que já tivemos e tomar medidas acertadas para recolocar o País no rumo do desenvolvimento. Só assim poderemos ter novamente a inflação sob controle e o endividamento da população em queda.