Inflação impõe desafios
Pelo segundo ano consecutivo, o Brasil encerra os 12 meses com inflação cima do limite estabelecido pelo governo, e o quarto ano com inflação acima da meta
O dragão da inflação está mais acordado do que nunca. Pelo segundo ano consecutivo, o Brasil encerra os 12 meses com inflação cima do limite estabelecido pelo governo, e o quarto ano com inflação acima da meta. O País fechou 2022 com alta de 5,79%, conforme informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De 2019 para cá, nossa moeda acelerou a desvalorização em face da alta nos preços. Isso é preocupante, na medida que, aliado a outros fatores econômicos, contribui para o empobrecimento da população, com reflexos mais intensos sobre os mais pobres. Se tivemos quatro anos com preços em alta, também foram quatro anos sem aumento real do valor do salário mínimo.
Vale ressaltar que os preços dos alimentos foram os que mais pesaram para esse resultado ruim para a economia. Novamente, um fator que atinge com mais força as famílias de baixa renda. O controle da inflação surge como um dos principais desafios para o novo governo, e se reveste de maior dificuldade quando levamos em conta que os preços dos combustíveis vêm sendo contidos artificialmente, com desonerações tributárias que não vão durar para sempre e que já impactam na receita do governo.
A expectativa do Banco Central é otimista. Em carta aberta divulgada ontem, o presidente da instituição, Roberto Campos Neto, apontou os fatores que contribuíram para o estouro do teto, mas projeta que a tendência de queda que se verifica nos últimos meses será mantida ao longo de 2023, de modo que a inflação oficial do país chegue ao final do ano em torno de 5%, com quedas progressivas nos anos seguintes. É claro que, para isso, não bastará vontade política. O panorama global terá que ser favorável, com uma definição na guerra da Rússia contra a Ucrânia, controle nos preços do petróleo, e recuperação da produção agrícola em face de fenômenos climáticos, entre outros fatores.
Paralelamente, tanto governo federal como as gestões estaduais terão que encontrar formas de estimular a geração de empregos e dinamizar a economia. As turbulências político-ideológicas precisam ser superadas de uma vez por todas, para que o País possa voltar aos trilhos da recuperação econômica, que trará junto o desenvolvimento social, paralisado há alguns anos.