Insegurança nos ônibus e terminais
Os assaltos em ônibus e nos terminais desses coletivos confrontam a propaganda governamental sobre segurança pública que tem na fala de personagens, apresentados na peça como moradores de Manaus, o mote da cidade mais segura e tranquila para se viver e trabalhar.
Para além do espectro publicizado, a realidade física e material é de violência e do medo crescente das pessoas em ter que utilizar o transporte público e vir a ser mais uma vítima dos assaltos recorrentes dentro desses veículos ou nos espaços dos terminais e pontos de ônibus. Não há novidade no relato dos passageiros alvos dos assaltos, há sim repetição de uma situação dramática que cresce a cada dia em Manaus, muitas com vítimas feridas, e sem respostas efetivas por parte das autoridades para garantir a integridade dos usuários de transporte coletivo.
Praticamente, a mídia noticia semanalmente casos de assaltos a ônibus. Quando se coloca os números de ocorrências tem-se a expressão mais acentuada do quadro de ataques cometidos contra os passageiros, motoristas e, em alguns desses veículos, cobradores. São feitas promessas de adoção de medidas para conter os assaltos e roubos quanto à garantia da segurança de seus usuários sem que de fato isso ocorra.
Neste mês de dezembro, com maior movimentação de pessoas nas ruas, aumento do número de passageiros nas viagens de ônibus também tende a crescer a ação dos assaltantes. É necessário que a adoção de medidas que possam reduzir o nível de vulnerabilidade dos passageiros seja encarada como uma das prioridades das administrações públicas. O acumulado de casos, as diferentes situações a que esse público – passageiro, motorista e cobrador – está submetido já deveriam ter sido suficientes para a tomada de providências.
Os recursos financeiros investidos em propaganda na área da segurança pública são expressivos e deveriam corresponder a ação governamental correspondente ao que está sendo anunciado como serviço público executado. Nessa área, mas não somente nela, é a insegurança que impera e impõe códigos, faz vítimas, promove a instabilidade. Andar de ônibus em Manaus tornou-se um ato perigoso do mesmo modo que aguardar o ônibus nas paradas e nos terminais que em tese teriam estrutura de controle dos usuários que neles entram e saem a partir da utilização de tecnologia da cidade inteligente.