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A Crítica
Opinião

Intolerância religiosa

As divergências entre credos acabam usadas para justificar as diversas manifestações da intolerância, como perseguição, violência, marginalização ou negação de direitos e liberdades

Publicado em 22/01/2025 às 08h52
Intolerância religiosa
Foto: Agência Brasil

A intolerância religiosa, entendida como discriminação ou hostilidade contra indivíduos ou grupos em razão de suas crenças religiosas, é um mal de difícil enfrentamento. Ela existe como resultado de um complexo emaranhado de fatores históricos, culturais, sociais e psicológicos. Os intolerantes têm absoluta convicção de que eles estão certos e quem não compartilha de sua fé está errado. Mais que isso: os ditos incrédulos precisam ser “convertidos” ou sofrer as consequências.

As divergências entre credos acabam usadas para justificar as diversas manifestações da intolerância, como perseguição, violência, marginalização ou negação de direitos e liberdades. Esse tipo de discriminação reflete a incapacidade de aceitar a diversidade de crenças e práticas espirituais, muitas vezes associada a preconceitos e estereótipos.

Em diversos países, sobretudo nas teocracias, a intolerância é institucionalizada, com práticas religiosas estranhas ao regime equiparadas a crimes puníveis até mesmo com a morte. No Brasil, lamentavelmente, têm-se multiplicado os casos de violência por razões ligadas à fé, tento adeptos das religiões de matriz africana, como Umbanda e Candomblé, entre os principais alvos. Ao longo de muitas décadas, tais práticas foram associadas de maneira equivocada a alguma forma de satanismo ou posicionadas como sendo contrárias ao cristianismo. Segundo dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, em 2023 foram registrados 2.124 casos de intolerância. 

Em uma sociedade equilibrada, cada pessoa deve ter liberdade plena para professar sua fé, qualquer que seja, ou até mesma a ausência dela. No Brasil, tal direito é assegurado a todos na Constituição Federal. O artigo 5º da Carta Magna é bastante explícito ao determinar que “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política…”. 

A intolerância em si é quase um paradoxo, pois se a própria religião, seja ela qual for, prega a tolerância, a solidariedade e o amor ao próximo, como pode ser usada para desencadear a violência? Respeitar a fé do outro, ainda que contrária à sua própria, é também um ato de amor e uma demonstração de virtude. Mais do que nunca, o mundo precisa de tolerância.