Manaus sáb, 24 out
A Crítica
Opinião

Investimento em pesquisa é estratégico

Publicado em 20/11/2018 às 11h27 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h55
Investimento em pesquisa é estratégico

Como se combate uma doença para a qual não existe tratamento? Com pesquisa, com estudo, enfim, com ciência. É assim que pesquisadores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), em parceria com o Laboratório Central de Saúde Pública de Roraima (Lacen/RR), concluíram o sequenciamento do genoma do vírus do sarampo que ocorre na Amazônia.

Hoje, como não há tratamento, a única ação contra a doença é a vacinação. Quem fica doente precisa esperar que seu corpo seja forte o bastante para suportar o ciclo do vírus no corpo. Não à toa, as vítimas fatais mais comuns são crianças e idosos. Daí a importância do trabalho – inédito na América Latina – realizado pelos pesquisadores brasileiros. A partir do sequenciamento do genoma do vírus, será possível estudar a origem do recente surto da doença, além das mutações e evolução de outros vírus.

O próximo passo é comparar as informações do genoma com outras linhagens do vírus para entender a dispersão do sarampo no Amazonas ao longo desta ano, o que vai orientar futuras medidas de vigilância e controle da doença.

Milhões de reais já foram investidos no enfrentamento da doença, principalmente por meio de programas de vacinação. O êxito do estudo da Fiocruz em parceria com o Lacen/RR reforça um fato que o País precisa assimilar: os investimentos em pesquisa, o apoio aos pesquisadores e às instituições ligadas à ciência não podem ser menosprezados. É algo que precisa ser visto como estratégico no País, não como programas de governo, mas como políticas de Estado. O Brasil precisa tratar a ciência de acordo com a importância que tem, como fator estratégico e fundamental para o próprio desenvolvimento da Nação. Não tem sido essa a postura governamental nos últimos anos, tanto na esfera federal como estadual. O que se viu foi o contingenciamento de recursos de instituições federais de pesquisa, deixando pesquisadores em situação vexatória.

Em nível estadual, houve a transformação da Secretaria de Ciência e Tecnologia (Secti) em departamento da Seplan, apesar dos protestos da comunidade científica. Os olhos agora se voltam para 2019, quando as políticas públicas estarão sob novo comando. Esperamos por mudanças positivas para que mais trabalhos como o desenvolvido pela Fiocruz sejam realizados.