Investir no desencantamento da política
Deveria ser um dos aspectos a ser estimulado nos debates em diferentes ambientes da sociedade, nas escolas de níveis fundamental e médio e nas universidades, nas pastorais sociais e nos sindicatos
Marcadas por jogos pesados, as eleições ganham dimensões de luta de rua onde o permitido é cada vez mais ampliado não como liberdade e sim em equivalência à opressão com participação de setores dos poderes. Ora para amordaçar ora para soltar amarras em um tipo de espetáculo que empurra a política eleitoral para baixo e provoca medo em mulheres, homens e juventude, atores necessários na reformulação e na participação desse campo de atividade.
O investimento feito para desencantar a política é expressivo. Deveria ser um dos aspectos a ser estimulado nos debates em diferentes ambientes da sociedade, nas escolas de níveis fundamental e médio e nas universidades, nas pastorais sociais e nos sindicatos. Um retomar, com outros elementos, o intercâmbio de ideias a respeito da atividade político-eleitoral no Brasil e no mundo, nas cidades.
Na prévia das eleições municipais brasileiras, as pedras do jogo político estão sendo lançadas e, por vezes, como balas não perdidas. Acertam alvos e ferem numa inaceitável naturalização de condutas. Soa como nonsense pedir respeito à conduta republicana na atualidade numa completa inversão das atitudes daqueles que se colocam como candidatos ao exercício de função pública pela outorga de eleitores dos mandatos.
O pacto engendrado até alcançar o nível atual causa prejuízos largos que aparecem fragmentados, capturados de acordo com interesses de uns e de outros e, desse modo, cobrem os estragos realizados. Quando se propõe e reivindica outros exercícios políticos questões como função pública e conduta do agente pública são realçadas e no espelho o que se enxerga é negativo. Os que buscam mandatos e os eleitores querem enfrentar o pacto ou de acordo com a quantidade de benefícios individuais recebidos os princípios podem continuar a ser negociados?
A cidade, o lugar da concretude das condições de vida dos moradores, dos acontecimentos e dos sonhos coletivos de citadinos, possibilitar o ver, sentir e agir. Cada município tem uma porção de problemas, uns mais graves, outras de menor impacto. Aos eleitores e à sociedade em geral uma das tarefas é, na cidadania, perguntar como se sente na cidade onde vive, que serviços funcionam bem, como atuam os legisladores e governantes a serem eleitos em outubro quanto ao cuidado com a cidade. O balanço nessa busca de respostas oferecerá respostas que poderão gestar a cidade pluriversal ou reforçar o quadro atual.