Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Opinião

Irresponsabilidade absoluta

Publicado em 05/01/2020 às 06h57 · Atualizado em 13/03/2022 às 22h18
Irresponsabilidade absoluta

Ainda é difícil avaliar as possíveis consequências do recente ataque dos Estados Unidos ao Irã, resultando na morte de um general e outras sete pessoas. O que realmente espanta é a falta total de escrúpulos por parte do presidente norte-americano, Donald Trump. Ameaçado por um processo de impeachment que, mesmo sem força aparente para avançar no Senado e apeá-lo do poder, pode ter reflexos negativos nas próximas eleições, prejudicando o projeto de reeleição.  O cenário político para Trump nem era tão grave. Havia até a possibilidade de que a exposição provocada pelo debate do impeachment tivesse efeito favorável na popularidade do mandatário, acendendo a militância de seus apoiadores. 

Mas o presidente da maior potência mundial preferiu não correr riscos e tomou uma atitude absurdamente arriscada. São evidentes as motivações eleitorais de Trump ao lançar o ataque que matou o general Qassim Suleimani. Ele consegue facilmente tirar o foco do processo de impeachment e passa a posar como defensor do “modo de vida americano” contra as ameaças do Oriente Médio. 

O risco foi calculado: o Pentágono sabe que uma guerra não interessa a ninguém, muito menos ao Irã. Por outro lado, a escalada da tensão é inevitável, assim como a retaliação dos iranianos. O mundo todo já está à espera da resposta dos muçulmanos. O líder  supremo do Irã, Ali Khamenei, já jurou “vingança terrível”. Vale a pena colocar cidadãos norte-americanos e de países aliados dos Estados Unidos em perigo por um motivo principalmente eleitoreiro? 

Isso sem falar nos impactos na economia mundial. No momento em que o Brasil reacendia o ânimo com sinais de recuperação econômica, a crise instalada já afeta os preços do petróleo, com reflexos inevitáveis no custo dos combustíveis no Brasil. 

O mundo todo observa com atenção o desenrolar dos acontecimentos, torcendo para que não haja radicalização. Mas o certo é que a Trump jogou gasolina no incêndio que já queimava há anos no Oriente Médio. E as chamas já ameaçam consumir a já combalida economia mundial. Nesse cenário, seria um alento se o presidente fosse punido com uma reação popular diferente da esperada, se a maioria da população mostrasse bom senso e deixasse de apoiar atitudes radicais e belicosas. Se será assim, só o tempo dirá.