Jogo na Arena é prova de fogo
Os testes para eventos abertos e de grande aglomeração no Amazonas demonstram um dado comum a maioria das pessoas e desafiam o conjunto de ações de prevenção à contaminação pelo novo coronavirus e outros vírus, como os da gripe.
Se em pequenos grupos é possível controlar o uso da máscara ou criar um clima favorável a observância de tal necessidade, em aglomerados maiores manter a peça de proteção torna-se uma dificuldade. É o que foi constatado no recente show musical com público reduzido e espaços previamente marcados, sob orientação permanente de agentes de saúde tanto na distância entre as cadeiras, distribuídas por blocos, quanto no uso da máscara protetiva.
Em dado momento do show musical e ao final do mesmo um número expressivo de pessoas estava sem máscara, entre abraços e outras trocas de carinhos. Todo o cuidado orientado no início e assim observado nas primeiras horas foram ignorados. Há aqueles que rejeitam as precauções e saem dos espaços reservados para se juntarem a outros e completa posição de desrespeito às orientações dadas.
Em jogos de futebol, a emoção é normalmente um dos sentimentos que se exacerba podendo transformar partidas nos mais vergonhosos momentos, com cenas de pancadarias e xingamentos. Todos os limites e as regras, em um cenário como esse, vão para o lixo quando ocorre tais situações. Em tempo de pandemia da Covid-19, o mínimo esperado, por parte dos torcedores e das autoridades, estas últimas as responsáveis para fazer os instrumentos legais funcionarem, é que o esforço para manter o público, mesmo reduzido, no estágio e este siga o que foi pactuado, seja respeitado.
O show musical do último final de semana mostrou a tênue linha que separa uma coisa – o pacto com os grupos sociais – de outra – a não observância dele. As autoridades governamentais e, mais diretamente as da saúde, têm pela frente, uma prova de fogo a enfrentar ao assumirem o compromisso de receber a seleção de futebol do Brasil para sediar uma das partidas da série Eliminatórias Sul-Americanas da Copa do Mundo de 22. A partida, contra a Colômbia, está marcada para 14 de outubro e a previsão do governo do Estado é que um público de 13, 2 mil torcedores (30% da capacidade total de público na Arena da Amazônia), acompanhe o jogo. O País se aproxima dos 600 mil mortos pela Covid-19.