Jornalismo e liberdade sob o cerco digital
O 3 de maio é, desde 1993, o dia da celebração mundial da liberdade de imprensa, instituído Unesco
A liberdade de imprensa carrega valor inestimável à humanidade. Cada vez que governo de um país ou governos de bloco e países permitem ataques e fragilizam a estrutura do ideário de liberdade não apenas a imprensa é impedida de realizar as suas atividades, mas toda a sociedade com efeitos desastrosos, atentatórios e ameaçadores ao conjunto dos direitos de todos os cidadãos.
Defender a liberdade de imprensa é aprendizado permanente, de caráter coletivo e individual, sobre o que é a democracia e o perfil de democracia alcançado. Os discursos e atos contrários à atuação da mídia e dos profissionais jornalistas evidenciam vulnerabilidades e sinalizam com rupturas cujo resultado são os conflitos, guerras e retrocessos institucional e social.
O Brasil se tornou um dos países mais perigosos à atuação da imprensa e dos jornalistas de acordo com estudos que monitoram os temas liberdade de imprensa e democracia. Foram 430 casos de agressões a profissionais da mídia no ano passado, apontam estudos da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o crescimento do índice de violência de gênero nessa área em 105,77%. O maior porcentual dos ataques tem origem nas práticas do presidente da República brasileira.
O 3 de maio é, desde 1993, o dia da celebração mundial da liberdade de imprensa, instituído pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A base de referência para a criação da data é a Conferência de Windhooek, capital da Namíbia, sede, em 1991, de seminário realizado por jornalistas africanos em luta pelo direito à liberdade dos profissionais de imprensa de divulgar, investigar e trazer ao conhecimento público informações de forma imparcial e independente.
A Declaração de Windhooek afirma: “{…}o estabelecimento, manutenção e promoção de uma imprensa independente, pluralista e livre é essencial para o desenvolvimento e a manutenção da democracia em uma nação, e para o desenvolvimento econômico”; “Por imprensa independente, queremos dizer uma imprensa independente do controlo governamental, político ou econômico ou do controlo dos materiais e de infraestruturas essenciais à produção e difusão de jornais, revistas e periódicos”.
Este ano, o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa tem como mote “Jornalismo sob cerco digital: a era digital e o impacto na liberdade de expressão, na segurança dos jornalistas, no acesso à informação e na privacidade”. O tema está em debate, até o dia 5, na Conferência anual do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, em Punta del Este, Uruguai.