Juventude brasileira pede direito de viver
O relatório IPEA/FBSP, aponta que a morte violenta é a principal causa de óbito de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil. Em 2023, 34% das mortes de jovens no país foram consequência de homicídios
Há motivos para comemorar os dados do Atlas da Violência 2025, divulgados nesta segunda-feira (12), pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP): a redução em 2,3% na taxa de homicídios na comparação dos períodos 2023/2022. É a menor taxa dos últimos 11 anos e corresponde a 45.747 homicídios a
dois anos atrás.
O porcentual pode ser classificado como acanhado. Se se considerar a cultura de violência e a dificuldade para implementar na adversidade político-governamental uma política pública capaz de enfrentar os homicídios e reduzir a escalada desse tipo de morte, constatar a queda é um indicador de que se está andando no caminho adequado. Os menores indicadores, por estados, de acordo com informação da agência ebc.gov, por cada 100 mil habitantes, foram os da região Sul, São Paulo, Distrito Federal e Minas Gerais.
Nas regiões Norte e Nordeste o estudo constatou as taxas mais altas. A outra realidade é o passado e o presente da juventude. O relatório IPEA/FBSP, aponta que a morte violenta é a principal causa de óbito de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil. Em 2023, 34% das mortes de jovens no país foram consequência de homicídios.
Do total de 45.747 homicídios registrados no Brasil em 2023, 47,8% vitimaram jovens entre 15 e 29 anos; 21.856 jovens tiveram suas vidas ceifadas prematuramente, o que corresponde a uma média de 60 jovens assassinados por dia no país. Nos últimos 11 anos (2013-2023), foram 312.713 jovens vítimas da violência letal no Brasil. O maior aumento na taxa de homicídios de jovens ocorreu no Amapá e em Mato Grosso do Sul, com crescimento de 49,1 e 17,1%, respectivamente.
O relatório destaca que em 11 anos de análise (2013-2023), os 312.713 homicídios de jovens resultaram em uma perda de 14.788.282 anos potenciais de vida, de acordo com o indicador Anos Potenciais de Vida Perdidos (APVPs). Os acidentes, como a segunda causa mais frequente de mortes entre os jovens, foram responsáveis por 7.285.862 anos potenciais de vida perdidos, enquanto os suicídios totalizaram 1.828.196 anos potenciais de vida perdidos. Isso significa que os homicídios retiraram o dobro de APVPs em relação aos acidentes e cerca de 8,1 vezes mais APVPs do que os suicídios.