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A Crítica
Opinião

Lixo da Covid-19 nas ruas

Publicado em 17/04/2020 às 12h12 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h24
Lixo da Covid-19 nas ruas

O destino do lixo em tempos de pandemia é parte do problema que a maioria das cidades brasileiras enfrenta. Já era problema grave antes quando os estudos revelaram a precária condição brasileira no tratamento dos resíduos sólidos e no vai e vem em torno das deliberações a respeito do destino do lixo produzido nas cidades, dos lixões a céu aberto. Agora assume maior gravidade em decorrência de reunir a esses resíduos material de uso pessoal, de caráter preventivo, ao novo coronavirus.

Nas ruas, estão os exemplos dessa conduta comum a parte da população brasileira, jogar o seu lixo na rua. São lenços e copos descartáveis, máscaras e luvas que estão sendo lançados em espaços públicos após o uso. Há determinados locais em que esse tipo de lixo convive com pequenos grupamentos sociais, pacientes, acompanhantes, pedintes e, alguns até remexem o lixo em busca do que consideram útil.

A essa realidade cotidiana das cidades do país o lixo produzido pela pandemia compõe um cenário de ampliação do grau de morbidade. Em geral, esse tipo de conduta é mais uma ameaça a própria população e, em particular, aos grupos de maior vulnerabilidade. Existe uma população que mora nas ruas, que cata objetos e alimentos no lixo, que recolhe determinados produtos ou peças para reaproveitar e faz isso sem qualquer tipo de proteção, de cuidado.

Se os indicadores da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Ministério da Saúde do Governo Brasileiro apontam para a agudização dos casos de contaminação pelo novo vírus, estrangulamento do sistema de saúde e a desnudada falta de equipamentos e de profissionais da saúde, mais difícil ficará com o agravante do lixo lançado nas ruas e praças da cidade. Faz-se um tipo confuso de prevenção no entendimento de parcelas expressiva da população, com o uso de máscaras e, de luvas por alguns, seguido do imediato descarte em qualquer lugar, sem a devida postura de também se preocupar com o outro que poderá ser contaminado por esse gesto. 

Enfrentar esse componente é a outra necessidade e essa tarefa é dos governos, mas é igualmente da população, das organizações representativas da sociedade, das instituições e do empresariado. Alertar e pedir mudança de atitude é tarefa de todos.