Maioria dos municípios do Amazonas sob risco
Os dados são de estudo realizado pelo Programa do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden)
Dos 62 municípios amazonenses, 59 integram a lista das cidades sob risco de deslizamentos de terras, alagamento, enxurradas e inundações. Os dados são de estudo realizado pelo Programa do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), vinculado ao Ministério de Ciências, Tecnologia e Inovações (MCTI), do governo federal.
O país possui 5.570 municípios, destes 1.942 apresentaram situação de risco. A pesquisa é um dos instrumentos para a tomada de providências pelos governos nos três níveis (federal, estadual e municipal). No município, é onde os acontecimentos se concretizam, o que significa pensar a função da prefeitura e da câmara municipal, e o papel estratégico de prefeitos e vereadores.
São prefeitos e vereadores os atores que poderão agir para ampliar ações preventivas, tomar providências de enfrentamento a possíveis tragédias, estabelecer outros elos com os moradores visando a adoção de posicionamentos adequados diante dos sinais dados. Enfim, trabalhar junto com as populações das cidades desde que tenham um plano e superem a fase de lidar com o problema quando o problema já está ocorrendo. Nessa área, o que tem sido revelado é muito mais que um problema, trata-se de tragédia.
Embora o Brasil esteja aprendendo pela dor ao lidar com os eventos climáticos extremos, o que ocorreu nos últimos anos deixa subsídios volumosos para a compreensão do que está acontecendo, por que está acontecendo e como lidar com tais dados. A destruição de áreas que atuam para manter o ecossistema e a velocidade em que se dá o processo potencializam as tragédias. Há cada vez mais a ocupação de áreas marítimas e fluviais para abrigar empreendimentos privados sob o discurso de que esses negócios irão melhorar a qualidade e vida da população do lugar, gerar mais postos de trabalho e movimentar a economia.
A outra face dessa história é a expulsão de comunidades tradicionais dos lugares onde vivem que são deslocadas para áreas de risco e se tornam parte do exército da informalidade. O que se vê, seja por meio da mídia, seja pelas redes sociais, são famílias atingidas por chuvas, enchentes, seca, mortes. Todos esses acontecimentos deveriam servir para a tomada de consciência e avanço da sensibilização dos gestores, dos agentes públicos, da sociedade estabelecendo acordos sobre limites nos projetos municipais que não poderiam ser rompidos.