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A Crítica
Opinião

Mais problemas a vista

Publicado em 26/03/2020 às 12h14 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h27
Mais problemas a vista

O embate patrocinado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, com a maioria das autoridades em saúde pública internacional e nacional, a Organização Mundial da Saúde (OMS), e governantes dos diferentes continentes expõe o determinismo econômico como o motor da história. Em torno dele, o presidente brasileiro tenta desastrosamente copiar a postura do presidente norte-americano e oferecer saídas à crise produzida pelo covid-19. É desastroso em todos os sentidos e, principalmente, por provocar outras crises, acentuar confrontos e investir na desestruturação da base que setores do próprio governo, como o Ministério da Saúde, conseguiram montar.

Um embate pautado no baixo nível, ainda com força para reunir apoiadores dos mais pobres aos mais ricos, e ampliar as ranhuras do chefe do executivo com o primeiro escalão do governo e com a sociedade. Enquanto representantes de inúmeros setores de serviços e personalidade buscam reforçar a conduta mundial do “permanecer em casa” – até agora o mecanismo mais eficaz para impedir a contaminação em larga escala e o colapso da rede hospitalar – o chefe do executivo brasileiro faz o contrário. Quais as motivações reais para essa orientação?

As adjetivações quanto à insensatez, irresponsabilidade, grosseria… não dão conta dos efeitos das falas e dos atos do presidente brasileiro. Estes são orientados a partir de um perfil de marketing norte-americano apropriado pelo presidente Donald Trump Desde a campanha é essa a linha adotada pelo então candidato Jair Bolsonaro, com êxito, para conquistar o posto que ora ocupa. A insistência em seguir essa direção é sustentada por um seleto grupo de mentores da governança praticada por Bolsonaro e, para os quais, a receita está correta e dará trunfos político-eleitorais ao presidente do Brasil.

De um lado, o vai-e-volta do presidente tende a seguir por conta desse direcionamento eleito, e, de outro, o Brasil se complica a passos largos. A economia não responde e já não respondia satisfatoriamente mesmo antes da pandemia do novo coronavirus, o que demonstra os primeiros fracassos do plano Guedes; a popularidade do presidente cai e as manifestações de insatisfação aumentam em todas as regiões brasileiras. A falta de diálogo e de trato respeitoso por parte do presidente aos membros dos poderes Legislativo e do Judiciário e com os governadores estão agravados quando, constitucionalmente, o dever é encontrar, no espaço democrático, alternativas para superar os problemas graves que o Brasil acumula. Esta parece não ser a disposição presidencial nesse momento.