Mais um tiro no pé
O Amazonas precisa apertar o passo no que diz respeito à diversificação da base econômica sob pena de ver sua própria economia encolher dramaticamente nos próximos anos, com perda de empregos e, consequentemente, agravamento de problemas sociais de toda ordem. Isso por que todas as propostas de reforma tributária aventadas até o momento excluem a concessão de incentivos fiscais. Instintos “polianísticos” levam muitos a argumentar: “mas o presidente já disse que a Zona Franca está garantida na reforma”. A esses, vale lembrar que a defesa do modelo amazonense foi tema de discurso de diversos presidentes, ainda assim, inúmeras medidas governamentais vêm minando a competitividade da ZFM ano após ano.
Ao tomar medidas na área econômica, o governo não leva em conta o modelo local. Um exemplo foi a redução de impostos para videogames. Ontem, um decreto da presidência reduziu as alíquotas de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) incidentes sobre videogames, acessórios dos consoles e suas partes. As alíquotas, que variavam de 20% a 50%, foram reduzidas para a faixa entre 16% e 40%. A intenção é nobre: reduzir a carga tributária. Mas o tiro pode sair pela culatra: os fabricantes de videogames instalados na Zona Franca de Manaus vão fazer as contas para avaliar se vale a pena manter as operações por aqui. Se deixarem o Amazonas, serão centenas de empregos a menos que dificilmente serão transferidos para outro Estado brasileiro. É mais provável que os postos de trabalho sejam “exportados” ao Paraguai, México ou Estados Unidos. Nesse caso, o Brasil perde, além de arrecadação, empregos. Isso no momento em que o País precisa fomentar a criação de postos de trabalho para contribuir na superação da crise que parece não ter fim.
É um típico “tiro no pé” mas, pelo jeito, a visão míope que leva a essa postura vai continuar. Daí a necessidade urgente de as lideranças políticas e empresariais do Amazonas atuarem em duas frentes prioritárias: a primeira é pressionar para que a Zona Franca se mantenha pelo menos do tamanho que está pelo tempo que lhe resta; a segunda é trabalhar e cobrar apoio do governo para desenvolver alternativas econômicas como ecoturismo, fruticultura e piscicultura. O que não podemos é deixar a ZFM morrer na velocidade em que a estão matando.