Mais uma pisa na educação brasileira
O Brasil sempre levou uma pisa em cada edição do programa criado em 2000 e realizado a cada três anos. Mas os resultados de 2022 pioraram
Os efeitos da pandemia de covid-19, que matou mais de 6 milhões de pessoas em todos os países, ainda assombrarão o mundo por muito tempo. Além do luto pelos que partiram, os danos na economia mundial persistem, lançando incertezas mesmo nas nações mais estáveis.
A educação também foi severamente atingida nos anos da crise sanitária, causando atrasos no aprendizado de estudantes. Isso foi constatado com o mais recente resultado do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), que avalia o aprendizado de milhões de estudantes de 81 países em matemática, leitura e ciências.
O Brasil sempre levou uma pisa em cada edição do programa criado em 2000 e realizado a cada três anos. Mas os resultados de 2022 pioraram, muito em função do calendário escolar fraturado que teve que ser adotado durante a pandemia, impondo desafios hercúleos para alunos e educadores.
Mas a pandemia foi para todos, e mesmo os países ricos apresentaram queda nas notas dos estudantes. O fato é que os alunos brasileiros continuam ocupando as últimas posições do ranking, atrás de vizinhos sul-americanos como Colômbia e Peru. As notas estão muito abaixo das médias registradas pelos países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).
O resultado do Pisa dá ao Brasil o tamanho do desafio que é alavancar a educação no País. Os dados são alarmantes: sete e cada dez alunos de 15 anos no Brasil não conseguem resolver problemas matemáticos simples. Em leitura, nossos alunos estão atrás de estudantes da Costa Rica, do México e do Uruguai, entre muitos outros.
É verdade que o Brasil avançou nos últimos 15 anos, com medidas como a BNCC – Base Nacional Comum Curricular, que estipula os conteúdos obrigatórios a serem ensinados – e o Fundeb (Fundo de Financiamento da Educação Básica), mas o País precisa de muito mais.
É preciso valorizar os professores, com salários melhores e boas condições de trabalho. É preciso estruturar as escolas, assegurar a merenda escolar e o transporte adequado dos estudantes.
Os desafios tornam-se ainda maiores na Amazônia, onde muitos alunos ainda precisam percorrer longas distâncias pelos rios até chegar à escola. A educação tem que figurar entre as principais prioridades de todas as esferas de governo: União, estados e municípios.