Manaus, depois da festa
O aniversário de Manaus, na quinta-feira (24), animou uma série de ações e manifestações culturais, políticas e promocionais que buscaram marcam os 350 anos da cidade. Passada a temporada de festas, é importante realizar um balanço efetivo do que Manaus exige ser e daquilo que necessita para poder ser cidade.
Entre a percepção do que é uma cidade e a negação desta, mais de 2 milhões de pessoas vivem nesse lugar e, em geral, todos querem viver com dignidade, o que tem sido negado a uma parcela expressiva da população. Não é exatamente a falta de recurso financeiro que afeta o padrão de vida na cidade e sim a forma como esse recurso é administrado, o nível de compromisso assumido por aqueles que receberam o voto do eleitor para cuidar da cidade, zelar por ela e defende-la dentro dos parâmetros de sustentação da Justiça. É isso que a sociedade manauara espera da administração municipal e dos vereadores.
Também são convocados nessa direção o empresariado, os representantes de instituições e a sociedade por meio de seus canais de expressão. O ato de pensar a cidade não pode ficar restrito ao mês de aniversário dela, precisa ser feito todos os dias e o planejamento discutido amplamente com os diferentes segmentos. Essa postura há muito deixou de ser observada e gradativamente ampliou o modelo de cidade apartada, violada e violenta onde o lugar de convivência respeitosa ficou encolhido, restrito a poucas pessoas, aquelas que podem pagar para ter sistemas de proteção por 24 horas.
Experiências positivas de outras cidades, algumas delas elevadas à categoria de megalópole, mudaram profundamente a feição desses lugares e proporcionaram melhorias. São medidas que ajudaram a enfrentar a escalada da violência, a recuperar áreas perdidas tornando-as espaço de encontro, reencontro, vivências culturais e de forte intercâmbio entre povos diferentes. Estudos mostram que cidades com essas características tendem a acolher melhor, a ser mais solidárias, a abrir espaços diversificados para a economia criativa e se sentir parte das ações de cuidado do lugar. Ou seja, a maioria dos moradores se sente parte e quer o melhor para o lugar onde vive.
Aos 350 anos, Manaus é lugar de muitos, dos filhos do Amazonas e dos filhos que a ela chegaram e nela ficaram. Poderá vir a ser uma cidade com outros indicadores onde o humano se expresse com mais humanidade.