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A Crítica
Opinião

Manaus pede ação para enfrentar assaltos

A inteligência e a tecnologia necessitam ser melhor acessadas para, em conjunto com recursos humanos qualificados, produzirem plano de enfrentamento aos grupos mobilizados pelo narcotráfico

Publicado em 05/05/2022 às 08h09
Manaus pede ação para enfrentar assaltos
Foto: Arquivo A CRÍTICA

A cidade de Manaus está acossada pelos atos de grupos armados. Os relatos, como demonstram inúmeras matérias divulgadas na mídia local, são de três a cinco ocorrências por dia, algumas delas com morte das vítimas. Há poucos dias, a informação era de que o bairro Colônia Oliveira Machado, na Zona Sul, estava todo ele sob controle de grupos narcotraficantes, não diferente é o bairro do Japiim, na mesma região e parte dos bairros das zonas Leste e Norte.

O volume de ocorrência dos ataques e o que as notícias expõem pedem a atenção das autoridades públicas e a adoção de medidas para enfrentar a realidade de violência diária na cidade. Não se trata somente de operações policiais pontuais numa lógica que não consegue avançar além do prender e matar.

A questão exige outra conduta e a formação de boas alianças estratégicas e contínuas no monitoramento dos grupos, das redes que formam, dos líderes desses movimentos e dos pontos centrais – base de articulação e direcionamento das ações.

A inteligência e a tecnologia necessitam ser melhor acessadas para, em conjunto com recursos humanos qualificados, produzirem plano de enfrentamento aos grupos mobilizados pelo narcotráfico. Esses cada vez mais assumem posição de comando tanto em Manaus quanto em outros municípios do Amazonas sinalizando o enfraquecimento do Estado como ente responsável por gerir e garantir a segurança pública.

Outra face expressada nesse cenário é o de cooptação dos jovens e adolescentes para atuarem em organizações criminosas. A maioria dos autores dos crimes tem idade entre 16 a 29 anos. Os jovens de Manaus e do Amazonas precisam ser considerados dentro da política pública de segurança e receber incentivos que possam proporcionar a essa população outra possibilidade de viver, estudar, trabalhar. Perder a juventude para o crime significa derrota de toda a sociedade.

A condição de reféns da maioria dos moradores aos ataques desses grupos está sendo aprofundada e tende a ficar mais grave na medida em que o incentivo ao armamento cresce. Muitos desses ataques se dão por motociclistas, com farda de entregadores ou de transportadores de passageiros. Esse comportamento pode ser controlado e tornar mais difícil os atos criminosos.