Medidas são necessárias
Com o avanço da pandemia do novo coronavírus no Amazonas, o governo do Estado tenta estabelecer uma situação de equilíbrio entre as medidas restritivas à circulação de pessoas e o funcionamento mínimo da economia. Por esse motivo, o decreto anunciado ontem pelo governador Wilson Lima determina que as fábricas do Distrito continuarão funcionando, mas o comércio será fechado temporariamente e só poderá atender por delivery e drive-thru até 21h, entre outras medidas. A decisão de não adotar um lockdown é adequada neste momento, mas ele não deve ser descartado caso as medidas sanitárias anunciadas não se mostrem suficientes para conter o aumento no número de casos e de óbitos.
O decreto governamental vem no momento que crescem no Estado, especialmente na capital, as aglomerações em função das festas e das compras de final de ano. No centro da cidade, por exemplo, consumidores preferem ignorar os riscos e formar verdadeiras multidões nas ruas. Os shoppings estão lotados e as confraternizações numerosas se multiplicam nos restaurantes e bares. Ao mesmo tempo em que crescem as aglomerações, aumenta a lotação nos hospitais. Atualmente, mais de 500 pessoas estão internadas, elevando a preocupação da Secretaria de Saúde sobre a capacidade da rede pública.
Outra frente de atuação visando a redução do contágio é o combate aos eventos clandestinos. Já estava na hora de providências mais enérgicas para fazer frente à irresponsabilidade daqueles que realizam festas ilegais, promovendo aglomerações que apenas contribuem para a proliferação do vírus. As forças de segurança do Estado estão autorizadas a apreender equipamentos de som, iluminação, decoração e bebidas alcoólicas usadas nas celebrações clandestinas. A população pode e deve denunciar à polícia a ocorrência desse tipo de evento.
Cabe ressaltar que as medidas anunciadas só surtirão efeitos positivos se houver colaboração efetiva da população. Ao que parece, tem aumentado a resistência das pessoas em manter o distanciamento social, é como se o medo do vírus tivesse desaparecido e a morte passasse a ser vista como algo banal, exceto para os que morrem, para os que sofrem nos hospitais, e para os amigos e familiares destes. A pandemia só será vencida com a união e sensibilidade de todos.