Manaus seg, 19 out
A Crítica
Opinião

Mercado imobiliário aquecido

O mercado local tem bastante fôlego para crescer, principalmente se houver estímulos governamentais como o programa federal Minha Casa, Minha Vida, e a iniciativa estadual Amazonas, Meu Lar.

Publicado em 15/08/2025 às 08h50
Mercado imobiliário aquecido
Foto: Agência Brasil

Os resultados do mercado imobiliário do Amazonas no primeiro semestre deste ano mostram mais que recuperação após um período de retração que se alongava desde a pandemia; os números divulgados ontem pela Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas (Ademi-AM) revelam que o mercado local tem bastante fôlego para crescer, principalmente se houver estímulos governamentais como o programa federal Minha Casa, Minha Vida, e a iniciativa estadual Amazonas, Meu Lar.

Tais ações governamentais ganham ainda mais protagonismo na venda de imóveis quando consideramos o cenário de juros absurdamente elevados que o País enfrenta. As vantagens e facilidades dos programas compensam os juros e tornam o negócio possível para quem sonha com a casa própria. Não é à toa que, das mais de cinco mil unidades habitacionais vendidas no primeiro semestre, mais da metade – 2,9 mil – foram de padrão econômico relacionado ao programa federal.

O resultado é positivo ao revelar o potencial do mercado e o aquecimento da economia local, mas também expõe outra situação: a busca por imóveis de baixo padrão está diretamente relacionada ao déficit habitacional de nosso estado, que estimula submoradias e alimenta a cultura das invasões.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o déficit habitacional no Amazonas é de 14,5%, colocando o estado em terceiro lugar na Região Norte, atrás apenas do Amapá (18%) e seguido de perto por Roraima (17,2%). São milhares de domicílios onde famílias enfrentam questões como despesas excessivas com aluguel, pouco espaço – frequentemente dividido com outras famílias – ou condições simplesmente precárias. Só em Manaus, segundo o IBGE, são mais de 103 mil domicílios em situação de déficit.

Os programas governamentais estão aí para ajudar, mas são claramente insuficientes, sendo necessário o desenvolvimento de estratégias mais eficazes, além da ampliação das iniciativas já existentes. Ações estruturantes visando o acesso à moradia digna devem estar desassociadas de objetivos meramente políticos, e mirar resultados concretos no médio e no longo prazo.