Mercado imobiliário em alta
Na capital, o resultado foi recorde: o Valor Geral de Vendas (VGV) atingiu R$ 2,7 bilhões nos nove primeiros meses de 2025, um crescimento de quase 60% até setembro, conforme informou a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas (Ademi-AM)
Pode parecer paradoxal que, com a taxa básica de juros, a Selic, estabilizada em 15% ao ano – o maior patamar em quase 20 anos – e com todas as incertezas no cenário econômico nacional e internacional, as vendas do mercado imobiliário local batam recordes ano após ano. Porém, diversos fatores concorrem para os resultados positivos, e um dos principais é o fato de que é exatamente em cenários desafiadores que o mercado imobiliário é frequentemente visto como um investimento mais sólido e seguro em longo prazo, o que atrai investidores em busca de proteção patrimonial.
Na capital, o resultado foi recorde: o Valor Geral de Vendas (VGV) atingiu R$ 2,7 bilhões nos nove primeiros meses de 2025, um crescimento de quase 60% até setembro, conforme informou a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário do Amazonas (Ademi-AM). Manaus e cidades como Iranduba apenas refletem o fenômeno que ocorre em todo o País. Segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), no segundo trimestre de 2025, houve um aumento de 17,9% nas vendas em comparação com o mesmo período do ano anterior, considerando todo o território nacional.
Outros fatores como lançamentos de projetos habitacionais por parte das três esferas do poder público também contribuem para o aquecimento do mercado imobiliário, pois oferecem subsídios e condições facilitadas para aquisição dos imóveis. Programas como o “Minha Casa, Minha Vida”, do governo federal; e “Amazonas Meu Lar”, do governo do Estado, respondem por mais de 85% dos empreendimentos verticais lançados neste ano em Manaus.
O bom desempenho do mercado imobiliário local também ataca um dos grandes problemas da capital, a demanda reprimida por moradia em um cenário de crescimento populacional. As estimativas são variadas, mas sugerem que o déficit habitacional de Manaus esteja entre 100 mil e 119 mil habitações. Além disso, há a questão da precariedade das habitações, principalmente nas periferias. Se consideramos o Estado inteiro, a situação é mais alarmante: o Amazonas é o terceiro estado com maior déficit habitacional do País, segundo o Ministério das Cidades. Se na capital, a oferta de imóveis cresce, é preciso encontrar também soluções para o interior.