Manaus ter, 3 nov
A Crítica
Opinião

Militarização do Governo produz deformações

Publicado em 10/07/2021 às 14h21 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h37
Militarização do Governo produz deformações

A reação dos representantes das forças armadas do Brasil à fala do senador Omar Aziz (PSD-AM), presidente da CPI da Covid-19, é inadequada. Nivela pelo superficial as manifestações políticas, inclusive de militares, em momento que a parcimônia e a sensatez pedem lugar nas polarizações que transformaram o país em refém.

De um lado, o senador Omar Aziz exacerbou em certa medida, reconheceu e esclareceu sobre o que e para quem falava. De outro, o alto comando das forças armadas demonstrou posição que preocupa setores da sociedade porque revelam o quanto condutas nada republicanas de membros de uma das instituições que a compõem contaminaram e contaminam essa instância da estrutura do governo brasileiro.

Aguardava-se dos representantes das forças armadas, no mínimo, a repreenda aos seus integrantes sejam soldados ou generais que desrespeitam a conduta do bom militar e do serviço público. As forças armadas ganharam respeito da população por se inserirem em programas de segurança do país, nas grandes campanhas de apoio em situação crucial que populações vivem interna e externamente, pela conduta da maioria do generalato no trato das questões mais polêmicas. É possível afirmar que há esforço por parte da maioria dos generais em honrar o posto, a disciplina e qualificar cada vez mais a atuação destes e dos demais militares em outros postos.

Não apenas no Brasil, ainda marcado por uma longa convivência com a ditadura militar, mas em outras nações, como os Estados Unidos – tão acionado internamente como referência de democracia – as forças armadas, em geral, e os generais, especificamente, demonstram atenção para a função que podem ter no mundo em conflito, nos seus próprios países. Buscam estudar cada vez mais as relações globais e as agendas mundiais para subsidiarem programas dos governos e a própria estrutura das organizações que representam. Querem saber cada vez mais sobre o movimento da geopolítica e nele se situarem com informações de elevado nível.

A militarização do governo brasileiro representa deformações variadas. Retira os militares das funções para os quais foram treinados e pelas quais recebem salários vindo do erário público, os submete a outra atuação em flagrante desvio de função, e mancha a imagem das forças militares ainda lutando para superar a associação e consequência desta ao regime de exceção e de torturas que o Brasil viveu. Desta feita, a reação das forças armadas é um ato de retrocesso que precisa ser percebido e rejeitado.