Mineração ilegal e barbárie
Os garimpeiros, ao reagir com violência à abordagem policial, escancararam o que realmente são: criminosos.
A operação da Polícia Federal no município de Humaitá, que destruiu mais de 200 dragas usadas na garimpagem ilegal no Rio Madeira, e a reação exacerbada dos garimpeiros expõem com todas as cores e nuances o que se passa em diversas partes da Amazônia: a ação de grupos criminosos que, em nome do enriquecimento rápido e ilícito, poluem o rio, destroem seu leito e contaminam a fauna aquática, colocando em risco a saúde da população. Os garimpeiros, ao reagir com violência à abordagem policial, escancararam o que realmente são: criminosos.
Não são trabalhadores honestos buscando um meio de vida, como alguns querem fazer parecer. Aqueles que, inconformados com a ação da polícia, atacaram os agentes da lei com rojões, pedras e balas, tentaram invadir a Prefeitura e colocaram em risco os moradores de Humaitá, são criminosos que precisam ser identificados, processados e punidos.
A ação incisiva das forças policiais é essencial para repelir esse tipo de crime no Sul do Amazonas, mas não pode ser algo meramente pontual. Não resta dúvida que, na hora que os agentes se retirarem, os garimpeiros retomarão a atividade criminosa. É preciso mudar a estratégia de enfrentamento, que até agora se caracteriza pela reatividade. Os garimpeiros instalam numerosas dragas ao longo do rio, e causam um grande dano ambiental por meses antes que o Estado resolva reprimi-los.
A polícia vai embora e o crime recomeça. A ação estatal será mais efetiva com ações preventivas, com policiamento permanente naquela região, com monitoramento e repressão imediata. Isso passa pelo fortalecimento de instituições como Polícia Federal, Ibama e Batalhão Ambiental da Polícia Militar, para citar alguns. Sem a presença efetiva do poder público naquela região, a criminalidade se enraíza.
Cabe ressaltar que também cabe ao governo estudar formas legais de aproveitar as riquezas minerais de maneira racional, sem poluir o meio ambiente e prejudicar a fauna aquática, respeitando as populações ribeirinhas e indígenas que vivem ao longo do rio. Desenvolver tal atividade é possível, mas exige vontade política e investimentos. A regulamentação da atividade mineradora, com rigorosa fiscalização, seria uma forte barreira contra o crime.