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A Crítica
Opinião

MORADIAS EM ÁREAS DE RISCO E A GESTÃO PÚBLICA

Levantamento mostra que, em Manaus, cerca de 112 mil pessoas moram em áreas consideradas de risco

Publicado em 30/08/2025 às 08h03
MORADIAS EM ÁREAS DE RISCO E A GESTÃO PÚBLICA
Foto: Defesa Civil

São 112 mil moradores vivendo em áreas inadequadas incluídas em dois níveis: um, a de risco alto, outra, de muito alto, de acordo com estudo do Serviço Geológico do Brasil, da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (SGB/CPRM), divulgado no dia 27 de agosto.

São moradias instaladas em superfície terrestre que podem deslizar, sujeitas a erosões, inundações e alagamentos. Cenas envolvendo tais situações aparecem com frequência n noticiário durantes chuvas mais intensas e ou nos períodos chuvosos, algumas delas com resultados trágicos.

Mapear os moradores que vivem em áreas de risco tornou-se trabalho cada vez mais necessário, pois, possibilita o desenvolvimento de programas para criar sistema de prevenção à tragédia e de defesa da vida dessas pessoas. Os dados revelados mais recentemente pelo SGB – referem-se a junho de 2024 a abril de 2025 – apontam 438 setores de risco em um total de 28 mil moradias.

A maioria dos domicílios construídos em área de risco está nas zonas Leste e Norte de Manaus. São 328 moradias do total de 438 mapeados. Nelas estão 20 mil casas. Moradores dos bairros Jorge Teixeira, Cidade Nova, Gilberto Mestrinho, Alvorada, Mauazinho e Nova Cidade são citados no levantamento como os que mais correm riscos em função da área onde residem.

Criar mecanismos que possam sustentar uma política pública de moradia segura é parte dos desafios e dos deveres da gestão municipal. Não é um trabalho fácil de ser feito, exige criatividade, inteligência e determinação para demonstrar os riscos reais a que essas pessoas se expõem, atuar na minimização dos riscos, dispor-se a dialogar e oferecer condições de moradia segura a esses moradores.

Esperar acontecer, lidar com pessoas em desespero porque suas casas deslizaram, foram inundadas ou com o último nível dele, a morte é uma atitude que tem preço mais alto. Para isso, recepcionar a informações disponibilizadas pelo SGB/CPRM como meio de antecipar-se à consumação do risco é a saída mais correta.

O monitoramento eficaz tem na continuidade um dos traços e na resposta técnica ao que revela o ciclo completo. Se cada cidade fizer esse exercício poderá reduzir ainda mais os números de moradias em área de risco e das tragédias nesses locais. Manaus tem condições de executar uma política nessa direção.