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A Crítica
Opinião

Mudança ou destruição progressiva

Publicado em 26/08/2019 às 12h12 · Atualizado em 13/03/2022 às 21h56
Mudança ou destruição progressiva

A Amazônia permanece na mesma. As decisões anunciadas e algumas delas em processo de concretização não tratam da posição brasileira, principalmente do governo brasileiro sobre a região. Os projetos propostos e aqueles em andamento para e na Amazônia não consideram, na maioria deles, as especificidades da região e seguem na direção de domar a Amazônia para a exploração dos recursos que esse lugar do Planeta oferece. Um tipo de exploração bastante conhecido e que tem como referência retirar e não repor, deixar um lastro de danos econômico, cultural, social, ambiental.

O governo federal, em princípio, contornou o que é a sua primeira grande crise de caráter nacional e internacional. As queimadas, até então apoiadas por inúmeros setores e falas de autoridades públicas, deverão continuar em grau menor e, não deverão ser objeto de investigação, acompanhamento e punição porque há o entendimento governamental de que se queima pouco e se faz muito barulho com esse fogo. É o que disse entre outras falas e em meio à explosão das queimadas, o ministro chefe da Casa Civil, Onix Lorenzoni. O ministro não fala sozinho, representa um pensamento que vê na Amazônia desmatada um meio de melhorar as finanças do Brasil e resolver, em nível imediato, alguns problemas do País ainda que irremediavelmente estivesse agravando esses problemas.

Os planos do governo federal para a Amazônia foram anunciados e outros estão sendo concluídos dentro de grandes projetos econômico-financeiros que estão diretamente vinculados a matriz econômica que o governo, por meio do Ministério da Economia, está pondo em prática.   As queimadas poderão ser ‘esquecidas’ enquanto os projetos que necessitam de terra sem floresta em pé continuam sendo feitos.

A responsabilidade dos governos dos Estados Amazônicos e da sociedade civil organizada, das instituições de ensino e pesquisa, dos trabalhadores é imensa e precisa ser respondida. São dessas forças e das expressões que poderão ter no embate nacional e internacional gerar ações e propostas que posicionem a Amazônia diante do governo federal e do mundo como possibilidade de apresentar desenvolvimento sustentável, ter qualidade de vida e indicadores de educação, saúde, produção de ciência e tecnologia, de economias dinâmicas que estejam profundamente ligadas as culturas dos povos dessa região. Ou, então, deixar as chamas do fogo se apagarem e os projetos de exploração dos bens amazônicos se concretizarem.