Muita fumaça em Manaus. Qual é a reação?
Não se consegue no espaço das políticas governamentais nem das organizações da sociedade produzir e promover iniciativas locais/estaduais que chamem atenção para a situação e os vários impactos por ela provocados.
A fumaça responsável por cobrir com maior intensidade a cidade de Manaus na manhã de quarta-feira (20) é um sinal gritante, apesar disso, nenhuma ação mais decisiva ganhou concretude. Circularam nos grupos de mensagens e em locais de trabalho as reclamações pelos incômodos provocados e o mal-estar gerado em pessoas, com referência as dores de cabeça, náuseas, dificuldade para respirar, irritação, fadiga.
Há uma compreensão limitada sobre o que está acontecendo, o que leva a tomada de atitudes individuais – como buscar locais refrigerados e, nos casos mais graves, o atendimento médico. Não se consegue no espaço das políticas governamentais nem das organizações da sociedade produzir e promover iniciativas locais/estaduais que chamem atenção para a situação e os vários impactos por ela provocados.
O sofrimento pelas queimadas e o volume de fumaça em circulação é de uma maioria da população, mas é percebido como sendo de cada um. A dimensão coletiva poderia contribuir para o desenvolvimento de uma série de ações que chamem atenção, previnam e, no caso consumado como o é agora, orientações sobre como se comportar e quando os sinais indicam a necessidade de ir em busca de ajuda.
Manaus é uma das cidades castigadas pelo efeito dos focos de queimada. No registro de ontem, com a capital amazonense ficou densamente encoberta por fumaça e cheiro de queimado alcançou vários espaços, informações da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA) indicam que o problema foi provocado pelo fogo nos municípios de Autazes, Careiro e Iranduba.
O Amazonas, sob emergência ambiental, tem o dever de ver todas essas manifestações e elaborar um plano que demonstre a vontade política de vencer um tipo de conduta ilegal e prejudicial para o conjunto da sociedade. Não deveria ser mais admissível que a postura se repita como um vício com registros dos indicadores do problema agravado, pessoas com mal-estar e adoecimentos mais graves em número cada vez maior, reclamações do calor, da fumaça, da fadiga. Falta agir para que algo novo e promissor seja trabalhado, compartilhado e pedagogicamente adotado como princípio para retirar o Estado, em tempo mais curto, do quadro crítico em que se encontra.
Inúmeros estudos científicos e denúncias de pequenos agricultores, de pescadores, coletadores de sementes e comunidades que têm na agricultura familiar a base de vida demonstram que o Amazonas é o território da vez para os negócios do fogo.