Manaus sex, 16 out
A Crítica
Opinião

Mulheres são vítimas de todas as violências

O estudo tem por base dados de 2023 e, de acordo com o FSPB, as taxas de registro de diferentes crimes com vítimas mulheres, como homicídio e feminicídio, nas modalidades consumadas e tentadas, agressões em contexto de violência doméstica, ameaça, perseguição (stalking), violência psicológica e estupro estão mais altas.

Publicado em 21/07/2024 às 14h53
Mulheres são vítimas de todas as violências
Foto: Agência Brasil

Divulgado na quinta-feira (18), o Relatório do Fórum de Segurança Pública escancara a explosão da violência contra as mulheres em todas modalidades. Os números questionam as autoridades e a sociedade brasileira, as igrejas e demais setores que, estruturalmente, aceitam os crimes cometidos contra as mulheres.

O estudo tem por base dados de 2023 e, de acordo com o FSPB, as taxas de registro de diferentes crimes com vítimas mulheres, como homicídio e feminicídio, nas modalidades consumadas e tentadas, agressões em contexto de violência doméstica, ameaça, perseguição (stalking), violência psicológica e estupro estão mais altas.

Foram vitimizadas 1.238.208 mulheres, em 2023, na comparação com os registros de 2022, a violência contra a mulher cresceu, a exceção é o crime homicídio, que caiu 0,1%. O FSPB alerta que diminuição do homicídio, que em números absolutos corresponde a quatro casos a menos do que em 2022, totalizando 3.930 mortes, é  irrisória, embora relevante quando se considera individualmente cada mulher.

Outro aspecto abordado no relatório é matização dos homicídios pelos feminicídios, que cresceram 0,8% em relação ao ano anterior quando 1.467 mulheres foram mortas por razões de gênero, o maior número já registrado desde a publicação da lei nº 13.104/2015, que tipifica o crime. As tentativas de homicídio de mulheres cresceram, no ano passado, 9.2% o que corresponde a 8.372 registros.

No item crimes sexuais com vítimas mulheres, o estupro (incluindo o estupro de vulnerável, quando a vítima é menor de 14 anos ou quando, sendo maior de 14 anos, não está em condições de consentir) cresceu 5,3% no período. O número de vítimas em 2023, soma 72.454 mulheres e crianças do sexo feminino. O FBSP cita que quando se trata de estupro, fala-se em especial de vítimas meninas, em sua maioria de 13 anos, a idade que concentra os maiores registros.

O documento. de 404 páginas, faz uma fotografia ampliada da realidade brasileira em segurança pública. Quanto as mortes violentas intencionais (MVI), quatro municípios do Amazonas aparecem com taxas elevadas (Manaus, Tefé, Parintins e Lábrea). A cidade de Santana, no Amapá, é a que apresenta o mais alto índice em MVI. Na lista das dez cidades com maior ocorrência de mortes violentas intencionais, o Estado da Bahia concentra seis, seguido com duas do Amapá, uma de Mato Grosso e uma do Ceará. O passo seguinte é uma pergunta: que medidas serão adotadas?