Manaus qui, 22 out
A Crítica
Opinião

Mundo em alerta

Publicado em 22/12/2020 às 10h43 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h54
Mundo em alerta

O mundo entrou em alerta total com o anúncio da variante do novo coronavírus, mais infecciosa e fora de controle no Reino Unido. Austrália, Itália, Espanha e Suíça já detectaram a circulação da nova cepa em seus territórios, o que aumenta o risco de uma expansão global. É fato que não há evidências de que a variante provoque casos mais graves ou com maior índice de mortes, nem mesmo que seja resistente às vacinas. Mas o fato de ser, segundo estudos iniciais, até 70% mais contagiosa que o vírus original basta para justificar medidas enérgicas para evitar a proliferação internacional generalizada. Serve também para nos lembrar que a pandemia, infelizmente, ainda não acabou. 

Apesar do quadro geral da doença ter piorado no País, inclusive em Manaus, tem-se a impressão de que apenas hospitalizados, parentes e amigos das vítimas fatais percebem a real gravidade da situação. Mas o aumento nos números de casos e de óbitos em decorrência da covid-19 é uma realidade em Manaus. Na última semana de junho, a média diária de sepultamentos na capital era de 32, com média de dois enterros por dia de vítimas da covid-19. No último domingo, foram 47 sepultamentos, com 12 vítimas da pandemia. Estes números deveriam causar preocupação no povo, motivando o fortalecimento de medidas como usar máscaras e evitar aglomerações. Mas não é o que se vê nas ruas de Manaus. 

Nesses dias que antecedem o Natal e as festas de fim de ano, o Centro da cidade se transformou em uma grande aglomeração, dando a impressão de que não existe mais pandemia. As notícias sobre o avanço da variante do sars-cov2 também fizeram governos em todo o mundo apressar o passo para viabilizar a vacinação de suas populações. Menos no Brasil e em alguns poucos países onde impera o negacionismo. Por aqui, há alguns dias, o ministro da saúde, Eduardo Pazuello, disse não entender a “ansiedade” na cobrança por uma vacina contra a covid-19. No final de semana, o presidente da República disse que a pressa pela vacina “não se justifica”. Enquanto isso, o País registrou ontem 527 novas mortes por covid-19, aumentando o número de óbitos para 187.281. 

Enquanto o governo não se apressa pela vacina, resta-nos redobrar os cuidados, fazer nossa parte, cobrar as autoridades e manter a esperança de que o pesadelo vai acabar.