Não basta reformar o ensino médio
A carga horária da formação geral básica nos três anos volta a ser de 2,4 mil, com mais 600 horas obrigatórias preenchidas com disciplinas dos “itinerários formativos”.
O Congresso Nacional aprovou e o presidente sancionou a lei que reforma o ensino médio no Brasil. Entre outras mudanças, basicamente, foi ampliada a parcela de conteúdos da formação básica curricular – as disciplinas tradicionais como português, matemática, história e geografia. A carga horária da formação geral básica nos três anos volta a ser de 2,4 mil, com mais 600 horas obrigatórias preenchidas com disciplinas dos “itinerários formativos”, nos quais há disciplinas opcionais à escolha do aluno.
Embora extremamente importante, a reforma do ensino médio é apenas um ponto em meio a uma série de questões que precisam ser enfrentadas e superadas para que possamos ter um ensino médio de qualidade aceitável no Brasil. É fato que houve avanços nos últimos anos, com escolas de tempo integral e a “descoberta”, por parte dos governantes, que os recursos do Fundeb podem ser repassados diretamente aos profissionais da educação como forma de motivá-los. Mas o quadro geral é bastante desafiador, exigindo ações coordenadas e contínuas.
É conhecida a precariedade estrutural das escolas no Amazonas, especialmente no interior do Estado, nos municípios mais afastados. Mesmo na capital, é comum que alunos estudem em salas com aparelhos de ar-condicionado quebrados, sob forte calor, em instalações precárias e condições insalubres. Não basta reformar o ensino médio, é preciso reformar as escolas também.
A valorização dos profissionais da educação é outro fator-chave. Enquanto os professores não forem muito bem qualificados e remunerados adequadamente, teremos profissionais desmotivados e estudantes mal preparados. Não basta reformar o ensino médio, é preciso reformar também a carreira de professor no Brasil, de modo que profissionais de diferentes áreas sintam-se motivados a complementar sua formação com o magistério e queiram se dedicar ao ensino.
Infelizmente, hoje, ser professor do ensino médio significa ter que trabalhar em jornadas exaustivas para tentar ganhar o suficiente para sobreviver com dignidade; é não ter apoio para lidar com todo tipo de problema que surge nas salas de aula; é ter que sacrificar a própria saúde. Muito além da reforma do ensino médio, há bastante coisa para reformar na educação.