Não é hora para euforia
Os números da pandemia no Amazonas vão de encontro à realidade vivenciada na maioria dos Estados brasileiros. Depois de enfrentarmos o inferno nos meses de fevereiro e março, aparentemente, saímos da fase aguda e estamos retornando à “normalidade” possível em tempos de crise sanitária sem precedentes. Felizmente, os dados relativos ao Estado mostram recuo nos números de novos infectados, internados e óbitos. O índice de sepultamentos em Manaus, por exemplo, retornou ao patamar “normal”, situando-se em torno de 30. No interior, diversos municípios comemoram diariamente o fato de ninguém ter falecido em decorrência da covid. Porém, é preciso salientar que a guerra ainda não acabou, a vitória não está assegurada e a vigilância máxima da população ainda é extremamente necessária.
Daí a preocupação com a lotação dos barcos que chegam e saem de Manaus. O transporte fluvial é uma das características mais marcantes da região amazônica. Com a pandemia, uma série de medidas vêm sendo adotadas para assegurar a segurança de todos, como a observância ao número máximo de passageiros por embarcação, além dos cuidados básicos como higienização das mãos, distanciamento entre as pessoas e lotação adequada das embarcações.
Lamentavelmente, têm sido frequentes as autuações de barcos por extrapolarem o limite máximo de passageiros. É perfeitamente compreensível a ânsia dos empresários em recuperar as perdas ocasionadas pelo período de isolamento entre estados como Pará e Amazonas, porém, é fundamental ressaltar que a crise sanitária ainda não acabou, e não acabará pela nossa própria vontade.
No Amazonas, é extremamente sedutora a inclinação a celebrar a superação de um dos maiores desafios da humanidade na história recente. Mas, como se diz por aí, mais do que nunca, é preciso ter “muita calma nessa hora”. A crise persiste e, ao que tudo indica, só regridirá em face de vacinação em massa, como já foi comprovado em estudos coordenados em diversos países, inclusive no Brasil. O “Projeto S”, tocado no município de Serrana, no interior paulista, ainda não teve os resultados definitivos divulgados, mas os indicadores já conhecidos dão conta do que todos já suspeitavam, a vacinação em massa acaba com a pandemia. Precisamos de mais vacina. Não é hora para euforia.
Foto: Junio Matos