Não há vagas de emprego
Quase dois anos após a sanção da Reforma Trabalhista (Lei 13.467 de 2017), o número de desempregados no País mantém o mesmo patamar, na casa dos 13 milhões de pessoas. As mudanças na legislação, que flexibilizaram uma série de direitos dos trabalhadores, ainda não surtiu o efeito esperado. É fato que a oferta de empregos só vai melhorar quando a engrenagem da economia começar a girar com maior rapidez, o que depende de um conjunto de fatores como investimentos em setores intensivos de mão de obra. É o caso da indústria e da construção civil.
O governo federal tem um papel essencial nesse processo. Precisa superar o desafio de ajustar as contas públicas, ampliando sua capacidade de investimentos, o que serviria como estímulo a todo o mercado. Infelizmente, isso não se faz da noite para o dia. O tal ajuste passa pelas reformas da Previdência e tributária. E pelo nível do relacionamento entre o governo e o Câmara dos Deputados, o texto relativo à Previdência ainda tem um longo caminho a trilhar. A reforma tributária nem se fala.
O IBGE ainda não divulgou os dados regionalizados sobre desemprego, mas os resultados do Amazonas são bastante previsíveis. Por aqui funciona um sistema em cadeia que começa na Zona Franca. A geração de empregos na indústria se reflete em todos os setores da economia do Estado; assim como a retração na oferta de vagas. Como se não bastasse, há ainda o cenário externo, que impacta diretamente no panorama nacional. O momento é de negociar com todos e não puxar briga com ninguém.
Diante de tudo isso, é fundamental que o governo tenha foco total no enfrentamento dos problemas do País, e pare de gastar energia com questões menores que só contribuem para seu próprio desgaste. Vale ressaltar que a escalada do desemprego foi um dos fatores de maior peso na perda de sustentação do governo de Dilma Rousseff, saltando para 8,6 milhões em 2015, primeiro ano do segundo mandato da ex-presidente. Atualmente, são mais de 13 milhões de desempregados. O povo sem trabalho entra em uma situação desesperadora e responsabiliza imediatamente o governo. O avanço do desemprego no País precisa ser, pelo menos, contido, se possível, ainda neste ano. Do contrário, o argumento de que a culpa é dos governos petistas estará muito velho para funcionar.