Natal como exercício pela paz
Momento irá permitir que famílias afetadas por mortes e rompimentos tentem o reencontro dos que sobreviveram e dos que se distanciaram por questões político-partidário
As vésperas do Natal, a noção mobilizadora do congraçamento e, nele, a concretização de gestos solidários e da fraternidade entre as pessoas, é acionada em exercício da tradição misturado no desenho de mundo vivendo grandes dificuldades.
O Natal, dois anos pós-pandemia da Covid-19, e o extremismo político-partidário irá permitir que famílias afetadas por mortes e rompimentos tentem o reencontro dos que sobreviveram e dos que se distanciaram. É um apelo feitos por algumas organizações da sociedade e mesmo membros de famílias que insistem na superação dos rompimentos e na recuperação das conversas, religação dos elos.
Em muitos lares, o ritual da ceia encontrará lugares vazios, os daqueles que não resistiram à Covid, responsável por mais de 700 mil mortes no Brasil. É para essas famílias a tentativa de seguir em frente, preencher o vazio de outra maneira e construir lembranças familiares que superem a dor e a tristeza numa espécie de brinde à vida e aos momentos vividos com elas.
Também é um Natal onde a humanidade experimenta duas guerras mais visíveis que foram produzidas para ampliar poderes de governos sobre outros povos, reforçar o poderio bélico e estabelecer, na atual globalização, quem é que tem o controle do mundo. Outros foram atingidos por eventos climáticos extremos, perderam parentes e amigos, suas casas e outros bens. Ainda hoje milhares não têm onde morar, vivem em alojamentos coletivos ao mesmo tempo que são registrados mais eventos ligados às mudanças climáticas.
A situação dos imigrantes é outro capítulo. Milhares de pessoas são levadas de um lado para outro, como objetos, por decisões de governos que não os querem em seus países. Tantos perdem a vida na travessia dos mares e na tentativa de vencer os muros erguidos entre as nações cuja função é impedir, de qualquer maneira, que pessoas classificadas como indesejáveis consigam alcançar tais lugares para neles tentarem acessar oportunidade de trabalho e de vida.
O Natal enquanto um momento único – preparado por parcela da sociedade ao longo do ano – pode ser a chave do arejar, do aproximar, da valorização do respeito a outra pessoa e de gestos amorosos. Pesquisas mostram que este ano um número maior de núcleos familiares irá fazer ceias coletivas e outros, ligados pela amizade, optaram por viver esse momento juntos. Eis sinal de esperança para um mundo dilacerado.