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A Crítica
Opinião

O ataque do vírus e o protocolo da saúde

Publicado em 01/02/2020 às 13h48 · Atualizado em 13/03/2022 às 21h03
O ataque do vírus e o protocolo da saúde

O Brasil entrou na rota do coronavirus. Autoridades governamentais, se manifestaram nos últimos dias na direção de acalmar a população e assegurar que medidas de prevenção estão sendo tomadas.

O histórico brasileiro nessa área e a grave crise instalada no setor de saúde fragilizam o discurso governamental e esse próprio discurso já se apresenta problemático porque não consegue ser sentido pela população diariamente castigada nas filas de espera dos hospitais, das unidades de saúde, na repetida falta de profissionais de saúde para atendê-la.

Embora o vírus novo possua elementos desconhecidos, algumas informações já disponíveis pelas pesquisas cientificas possibilitam formar protocolos que são um dos instrumentos importantes nesse tipo de situação. É preciso falar uma língua comum, adotar procedimentos que sejam seguidos em nível nacional e respeitem as especificidades regionais e locais.

E é nessas especificidades que residem desafios: o êxito ou o fracasso de ações de prevenção no setor de saúde está diretamente vinculado ao modelo de comunicação que é adotado. Com frequência, a comunicação é colocada em segundo plano e tratada mais para apagar incêndios quando deveria ser parte efetiva em todas as etapas do protocolo preventivo.

Um país com dimensões como as do Brasil exige prestar atenção no detalhe comunicação.  A complexidade que o tema envolve se desconsiderada tende a minar boas iniciativas e contaminar outros procedimentos preventivos e de tratamento em tempo hábil. Considerar as diferenças, as culturas, os níveis de desenvolvimento das cidades é uma postura estratégica e necessária na firmação de protocolos para enfrentar situações como a que ora o mundo vivencia a partir do aparecimento do coronavirus.

A condição de globalização de tudo ensina que ninguém está imune a vírus ainda que esteja a milhares de quilômetros, em outra parte do planeta. O ‘caso do vírus da China’ demonstra exatamente essa situação e como o vírus viajou com passageiros em circulação em todo o mundo, diariamente. Não é a primeira vez que a humanidade é submetida a um ataque de vírus.

É mais um vírus e mais um aprendizado sobre a importância de incentivar e proteger as pesquisas científicas, garantir infraestrutura adequada e permanente no setor de saúde, promover ações de integração e investir na qualificação de profissionais e de paramédicos. Aspectos que o Brasil ignora.

Foto: Josué Damacena/IOC/Fiocruz