O Brasil nos negócios dos cassinos
A aprovação, pela Câmara dos Deputados, do texto-base do projeto de lei que prever a legalização dos cassinos, jogo do bicho e outras modalidades de jogos põe o Brasil numa trilha perigosa. O documento votado na noite de 23 deste mês seguirá, após os debates sobre os destaques e, em seguida, irá à apreciação do Senado.
Por que a possível legalização dos cassinos e dos demais jogos é linha tênue entre riscos, ameaças e possibilidade de postos de trabalho e de geração de renda, como listam os defensores da matéria. Organizações criminosas historicamente utilizaram cassinos e outras modalidades de jogos para a lavagem de dinheiro e manutenção de esquemas de exploração de jogadores, de exploração sexual, prostituição juvenil e negócios com drogas ilícitas.
Organizações empresariais ligadas a esse setor em nível internacional atuam há tempo para inserir o Brasil como um dos espaços desses negócios. O governo Bolsonaro vê com simpatia a liberação dos cassinos e há propostas desenhadas para algumas cidades brasileiras, Manaus é uma delas além de outros municípios amazonenses. Nessa formulação, a maioria dos parlamentares pelo Amazonas, empresários e governos atuam na mesma direção e costumam apontar valores financeiros que o Estado teria acesso a partir da operacionalização.
A questão em meio às projeções de ganhos financeiros e de geração de emprego que estão sendo feitos é como o Estado brasileiro irá atuar nessa área. Até agora o Estado tem se revelado incompetente em suas obrigações e expressa encolhimento na capacidade de agir. O sistema gigantesco que a indústria do cassino envolve desafia as leis e a governabilidade e se torna, como é possível identificar em algumas experiências, um governo paralelo, de poder violento.
Para um país que vive a expansão dos grupos de narcotraficantes e acompanha, diariamente, cenas do controle feito por essas organizações sobre o ir e vir das pessoas em favelas e bairros carentes, o passo dado pela Câmara dos Deputados é preocupante. Pensar o desenvolvimento brasileiro por esse viés de negócio é insistir numa conduta de apoio à subvida e ao subdesenvolvimento. Ilhas de cassinos para abrigar o entretenimento dos ricos serão criadas e em torno delas poderosos esquemas de proteção dos investidores e da clientela.