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A Crítica
Opinião

O cabo de guerra entre os poderes e a miséria do povo

Embates entre a Câmara dos Deputados e governo tendem a seguir pesados e com preço econômico-financeiro

Publicado em 27/05/2023 às 08h42
O cabo de guerra entre os poderes e a miséria do povo
Foto: Pablo Valadares/Câmara de Deputados

Os embates entre Câmara dos Deputados e Governo Federal tendem a seguir pesados e com preço econômico-financeiro cada vez mais alto nas negociações sobre o que aprova, veta e propõe com níveis de determinação. O esvaziamento dos ministérios do Meio Ambiente e dos Povos Indígenas, principalmente, negociado entre as partes, é a ponta iceberg que progressivamente está se apresentando nas relações dos poderes executivo e legislativo no atual governo.

Trata-se de tema sério, com sinais de agravamento e consequências ameaçadoras para um parâmetro de normalização de convivência decente entre poderes da República, e, pior ainda, ao conjunto da sociedade brasileira, independente de ser favorável ou contrário ao governo do presidente eleito. O grupo que se beneficiará com esse modelo de negócios entre os poderes é pequeno e seus ganhos são de caráter privativista, não se espelham na melhoria de vida dos brasileiros.

Para investidores, empresários de diferentes áreas que querem atuar e promover suas ações, a instabilidade constituída e o nível de paralisia a que o Brasil foi submetido nos últimos seis anos são elementos decisórios na tomada de decisão. Ao mesmo tempo, há um país com potencial espetacular que quer caminhar noutra direção, superar índices negativos tanto no desenvolvimento humano, no reforço a economia ecossustentável, na produção e fortalecimento das áreas de ponta.

Há uma juventude sedenta de ser percebida e estimulada aos estudos, ao trabalho remunerado adequadamente e à economia criativa tendo que as novas tecnologias de informação e comunicação propiciam. É um país que quer crescer e crescer bem, enfrentando velhos problemas, outros que já estavam superados e voltaram, como a fome e a miséria, e estabelecer códigos de convivência respeitosa entre os diferentes. Fazer da natureza o seu aliado maior e não algo a ser destruído.

Os primeiros cinco meses de gestão do governo e da atual legislatura do Congresso Nacional demonstram um cabo-de-guerra que aprofunda a utilização de expedientes nada republicanos, coloca escancaradamente a atividade parlamentar como banca que, juntos, atuam para fragilizar ainda mais a democracia nacional e entusiasmar setores interessados em submeter o Brasil a regimes fechados, conservadores extremados e autoritários. O dado que poderá vir e alterar  o quadro atual será o da reação da sociedade organizada, como se sente nesse jogo e o que quer ver respeitado nele.