O clamor da sociedade é outro
O quadro da Covid-19 evolui a passos rápidos e um dos aspectos mais destacados é o cabo-de-guerra entre o presidente da República, Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e, consequentemente, de seus apoiadores. A pergunta é qual a razão de a presidência da República alimentar em rédeas curtas esse tipo de disputa? E ficam os questionamentos sobre o que de fato está em jogo nessas condutas, é possível afirmar que não é o bem-estar da população.
Em geral, a sociedade brasileira espera que o Governo Federal conduza com discernimento e sensatez uma política econômica-social ajustada à realidade nacional. Uma série de iniciativas poderiam ter sido tomadas e, neste momento, já estaria em funcionamento. O ato seguinte, pós-pandemia, é de promover frentes de trabalho que aquecem a economia e são necessárias ao País; existem alguns segmentos que respondem imediatamente aos bons impulsos como a construção civil, o comércio, o turismo interno e externo, os micros serviços que mobilizam uma cadeia gigantesca nas cidades brasileiras.
O que se assiste é outra coisa. Cenas irresponsáveis, como se nada de grave estivesse ocorrendo no mundo e no Brasil, somadas a uma situação que se apresentava em direção à recessão e repercussão profunda na vida dos brasileiros. Os dados divulgados nos últimos 16 meses comprovavam o aprofundamento da desigualdade socioeconômica no país, o pífio desempenho do Produto Interno Bruto (PIB), lentidão nas respostas ao estímulo econômico oferecido e uma massa de desempregados em 12 milhões de pessoas; e explosão da informalidade estimada em aproximadamente 40 milhões de brasileiros vivendo nessa condição.
Seria difícil acertar as contas e retirar o Brasil da instabilidade. Com o coronavirus, maiores serão os desafios. No entanto, o Governo faz a opção pelo “quanto pior, melhor”, explora o desentendimento, incentiva o descumprimento de recomendações na área da saúde, mobiliza grupos para pressionar governadores e prefeitos e, concretamente, não apresenta iniciativas que discutam os problemas do país e que aproximem os poderes na busca de caminhos exequíveis. Todo dia, em diferentes momentos, a sociedade assiste a episódios lamentáveis patrocinados pelo alto comando da nação enquanto as vítimas da pandemia e das endemias clamam por socorro médico em tempo hábil e pelo direito de viver. A matéria sobre o socorro aos Estados e Municípios é mais uma expressão desse comportamento.