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A Crítica
Opinião

O controle da inflação e a falta de comida

Equilíbrio não chega na maior parte da população: os que estão em vulnerabilidade econômica

Publicado em 03/09/2022 às 10h06
O controle da inflação e a falta de comida
Foto: Reprodução/@brasilfedecovid no Instagram

Os dados de melhoria da economia brasileira, recebidos como triunfo de poucos, são animadores e bem-recebidos. Falta explicar o porquê de essa resposta não alcançar maior faixa da população brasileira, os que estão em situação de vulnerabilidade econômica. Os preços de produtos da cesta básica permanecem elevados e impõem o filtro mais apertado ao acesso aos alimentos, produtos de higiene pessoal e de limpeza.

Excluídos há mais de um ano dos espaços de supermercados, milhões de brasileiros têm nas sobras de feiras e nos lixões o ambiente para conseguir algum tipo de alimento. Não é referência para ser minimizada, a cena de pessoas comprando ossos de frango como alimentação principal possível, da mesma maneira a elevação do preço desse produto assim que proprietários e gerentes de supermercados perceberam o interesse de consumidores pela mercadoria.

Tanto a compra quanto o reajuste do valor cobrado pelo quilo de ossos expõem a face perversa da forma de governo, empresários e a sociedade lidarem com a crise econômica. Da parte do governo federal é sabido que foi inadequada e lenta a forma de lidar com os efeitos dessa instabilidade e as mudanças bruscas provocadas pela pandemia da covid-19. A realidade poderia ser outra, hoje, com efeitos menos grave na vida da população, se a inteligência da administração pública tivesse desenvolvido ações utilizado de forma criativa e sensível os recursos que a estrutura maneja. A opção foi pelo agravamento do que já estava em dificuldades. 

Da parte do empresariado, a disposição mais presente estava diretamente ligada ao êxito dos negócios a qualquer preço. O lucro é a meta, a atitude para obtê-lo é que difere e traduz o tipo de comportamento empresarial que se tem em um país. No caso da venda de ossos de frango e a consequente elevação do valor prevaleceu a ganância diante dos famintos. Outros segmentos empresariais também recorreram ao mesmo expediente na venda de produtos como os de limpeza e os medicamentos. Os levantamentos divulgados este ano revelam os números dos que lucraram com o sofrimento provocado pela pandemia da Covid-19.

À sociedade cumpre a outra responsabilidade: organizar movimento de pressão para ter seus direitos respeitados, como o acesso a alimentos e medicamentos. Uma economia que não contempla os direitos básicos da população tem problemas sérios para resolver.