O descer da ladeira da vida nacional
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um dos principais instrumentos de leitura do nível de progresso dos países tendo a pessoa como referência. O IDH passou a ser acionado não somente nos ambientes de pesquisas cientificas quanto na tomada de decisão para investir, não investir ou desviar investimentos. Países com um IDH muito baixo são vistos como instáveis e promovem desconfiança por parte de um determinado perfil de investidores.
O relatório sobre o IDH de 189 países, divulgado no dia 15, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU), apresenta dados a respeito do Brasil que devem ser recepcionados com atenção pelas autoridades brasileiras. O País perdeu duas posições e, nessa sondagem, aparece na 84ª posição. Quando recorte da pesquisa é a América Latina, entre 12 países, o Brasil está no sexto lugar.
O IDH resulta da medição de indicadores das áreas de educação, saúde e padrão de vida. O agravamento das condições de trabalho e renda, de acesso à saúde e à educação empurra o Brasil para baixo e a forma como esse indicador é tratado pelo governo federal demonstra que as dificuldades deste ano serão maiores e, ao mesmo tempo, desconsideradas por gestores públicos.
A precarização da vida dos brasileiros é apontada também em outros estudos realizados internamente, entre os quais as amostras do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da Conferência Nacional da Indústria (CNI) e da Fundação Getulio Vargas (FGV). Quando são somados os efeitos provocados pela violência, pelo desemprego, o subemprego e o medo, a qualidade de vida do brasileiro cai a nível preocupante e evidencia o porquê da alta vertiginosa dos casos de transtornos mentais.
O mapa da situação das famílias e do indivíduo deveria ser analisado pelos governos e seus subsídios utilizados como ingredientes de orientação no desenvolvimento de políticas públicas. Não está sendo feito dessa maneira. O governo federal perde muito tempo produzindo tensões entre os membros dos poderes e encolhe as possibilidades de agir a partir dos indicadores apresentados. O IDH há pouco divulgado pelo Pnud refere-se ao ano de 2019 na comparação com o de 2018, é visível que este ano de 2020 apresenta um panorama muito mais drástico.