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A Crítica
Opinião

O dia seguinte desafia os poderes do Brasil

Enquanto o mundo assiste a tragédia que ocorre no Rio Grande do Sul, pacotes de legislação são aprovados para afrouxar regras e ampliar marges de exploração

Publicado em 09/05/2024 às 09h29
O dia seguinte desafia os poderes do Brasil
Foto: Diego Vara/Reuters

O mundo acompanha a tragédia no Rio Grande do Sul ao mesmo tempo  pacotes de legislação em diferentes lugares e, principalmente no Brasil, são aprovados para afrouxar regras e ampliar margens de exploração e implantação de projetos diversos.

Os impactos na vida humana e não humana dessas proposta são pouco conhecidos ou conhecidos, a partir de outros experimentos, são objetos de alerta por pesquisadores e líderes de comunidades, de defensores ambientais, detentores de conhecimentos básicos, da memória desses espaços e das consequências pelas intervenções feitas.

No poder legislativo, vozes que nesse momento lançam discursos da necessidade de atenção com o que está acontecendo com o Planeta Terra no âmbito de suas atividades apoiam iniciativas que deveriam ser rechaçadas pelo parlamento.

Há responsabilidade decisiva na conduta do Legislativo com o que ocorre no Brasil nos últimos anos. Os eventos climáticos extremos estão postos drasticamente na vida da sociedade brasileira e reivindicam dos poderes a tomada de  posição responsável.

O que mais triunfa no país é a lógica da devastação e, em nome dela, leis são alteradas para dar conta não de uma iniciativa que estabeleça critérios aproximados do bem-viver que só funciona se pensado e constituído da maneira mais coletiva possível.

Essa dimensão envolve respeitar os rios, os igarapés, as margens, a vegetação, as nascentes e os olhos d’água, aprender e exercitar uma política de redução da produção de detritos e como reutilizar os já existentes para que não se constituam em obstruções de bueiros, do curso da água das chuvas.

No Brasil, a voracidade com que grupos empresariais nacionais e internacionais atuam para destruir é elevada e a ela se soma uma política de incentivo às submoradias em áreas de riscos nas quais as ocorrências dramáticas se repetem.

A pior tragédia da história do Rio Grande do Sul, como está sendo classificado o que ora ocorre no território gaúcho servirá para quê? Qual será o dia seguinte das autoridades brasileiras? Da sociedade brasileira? Do empresariado que tem base no Brasil? Das instituições de ensino e de pesquisa? Das instituições que mobilizam grandes públicos como as igrejas? Dos militantes em movimentos sociais?

Se mantida a tentativa de normalizar essa ocorrência e trabalhar com a ideia de acomodação das lembranças até o esquecimento mais coletivo, o Brasil estará se repetindo para, logo mais, viver novo drama e manter o pacto da destruição.