Manaus sex, 30 out
A Crítica
Opinião

O dia seguinte do 8 de março

Amazonas é um dos estados onde a violência contra a mulher se mantém elevada, a subnotificação permanece e a cultura de violência tem traço muito forte

Publicado em 11/03/2023 às 09h53
O dia seguinte do 8 de março
Foto: Marcely Gomes / Semasc

Após a programação do 8 de março em Manaus, algumas questões aguardam respostas a partir das demandas apresentadas pelas organizações de mulheres e que concentram basicamente uma mesma reivindicação: atenção integral às mulheres em situação de vulnerabilidade em casa, na rua e em seus locais de trabalho e de lazer.

O Amazonas é um dos estados onde a violência contra a mulher se mantém elevada, a subnotificação permanece e a cultura de violência tem traço muito forte. Nos municípios amazonenses a violência acompanha, em grau maior ou menor, o cotidiano das mulheres em diferentes idades.

Para uma parcela dessas mulheres, os maus tratos a que são submetidas em casa por seu marido, companheiro, pais, irmãos, é ato percebido como dentro da normalidade. Somente quando as agressões tomam forma mais violentas é que algumas conseguem tomar coragem para pedir apoio e denunciar. Outras sequer têm a oportunidade de fazê-lo, pois acabam mortas.

A pauta das mulheres trata do direito à moradia, de terem suas vidas asseguradas e livre da violência, de poder receber informações e esclarecimentos quanto a programas de atenção integral à saúde e, se estes não existirem, que sejam criados. Querem se sentir seguras e saber sobre a existência de projetos e ações que sejam eficientes no monitoramento das ameaças de agressão e na produção permanente da cultura de respeito às mulheres.

Superar o máximo possível a subnotificação dos casos de violência irá significar o enfrentamento de um sistema histórico de violação dos direitos da mulher no âmbito do Amazonas. E dessa forma quanto maior for o empenho nessa área mais saudável serão as cidades em todos os sentidos. A violência de gênero faz mal profundo e impede um desenvolvimento socioeconômico e ecológico sustentável, dificulta e mesmo impede as boas práticas e produz cenários destruidores.

As mulheres ativistas do Amazonas estão o não inteiro em ação e nas marchas pedido por todas, principalmente por aquelas vítimas das diferentes violências, o que reivindica lutar para mudar condutas institucionais, incentivar posturas de respeito entre os dirigentes dessas instituições e instituir um ambiente de equidade. Na cidade de Manaus, o sistema mais forte em vigor é o da falta de respeito às mulheres, do racismo e do sexismo. As mulheres lutam para uma Manaus que seja referência de boas práticas.