O dilema do isolamento continua
Em seu discurso de posse, o novo ministro da Saúde, Nelson Teich falou sobre a urgência de se abordar a crise sanitária causada pelo novo coronavírus sem a politização que vinha marcando o enfrentamento da pandemia até então. No entanto, tirar essa proposta do campo do discurso e transformá-la em prática é um desafio do tamanho da pandemia em si. A polarização em torno do isolamento social adotado pelos Estados e criticado abertamente pelo presidente da República mostrou a cara ontem, quando houve carreatas em várias capitais, inclusive em Manaus, com manifestantes pedindo a volta ao trabalho e a abertura do comércio. Também houve discursos em defesa do isolamento vertical, quando só os grupos de risco ficam em isolamento – uma invenção política que não faz o menor sentido.
É preciso que se diga, o fim do isolamento social no momento que a pandemia ameaça sair completamente do controle, com aumento desenfreado de infectados e mortos seria uma loucura. Muitos dizem que “não há estudos que comprovem a eficácia do isolamento contra o coronavírus”. Não é preciso estudos para constatar a lógica – aglomerações potencializam as infecções e o número de óbitos. Com o isolamento parcial que se vê no Brasil, o País já contabiliza quase 3 mil mortos, mais de 160 só em Manaus. Não resta dúvida que o fim do isolamento com a reabertura do comércio teria consequências catastróficas, com explosão de óbitos em todo o País.
É compreensível a preocupação dos empresários, principalmente dos que atuam no comércio, diante do risco de falência em face da ausência de faturamento. Quanto a isso, é preciso negociar alternativas junto ao poder público, reconhecendo que a volta à “normalidade” não é uma opção, até porque essa normalidade é algo que já não existe. Nesse momento de extrema pressão, é preciso ser racional. Manaus já está com o sistema de saúde operando no limite da sua capacidade e não tem condições de atender um aumento na demanda por internações, o que certamente ocorreria com a reabertura imediata do comércio.
O ministro Nelson Teich mostrou equilíbrio em seu discurso de posse, tentando adotar uma postura técnica na condução do ministério em meio à crise. Ontem, porém, ao ser questionado no Twitter sobre as carreatas pelo fim do isolamento, preferiu o silêncio como respost