O FOGO É A ‘BOIADA’
Amazonas registrou, em julho, 4.251 focos de queimadas, o que não ocorria desde 1998.
É possível impedir a progressão do fogo na Amazônia? Sim é. Para isso, autoridades, empresários e a sociedade civil organizada devem querer e ter determinação para enfrentar a situação. Os dados do sistema BDQueimadas, administrado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), mostram aumento de 98% (corresponde a 11.434 focos) na comparação a igual período de 2023, quando forma registrados 5.772 focos de calor. Somente no dia 30 de julho foram 1.348 registros.
O Amazonas vive aparente descontrole nessa área. Se antes o discurso governamental era do Estado com maior cobertura vegetal – um posicionamento inclusive de suporte à importância do modelo Zona Franca de Manaus – e a cada período aumenta a devastação. Neste monitoramento, o Amazonas aparece com um recorde de focos de fogo: 4.251 em julho, o que não ocorria desde 1998.
É nessa unidade da federação que a “boiada” está passando. As medidas de prevenção e de combate não conseguem oferecer indicadores que assegurem uma política eficiente na defesa da floresta, o que significa garantir a redução dessa prática até alcançar o nível desejado e assimilado pela maioria da sociedade.
As condições de vida no Amazonas não são boas quando se pensa na maioria da população que também enfrenta outras dificuldades. A opção pelo fogo agrava a qualidade de vida e amplia adoecimentos. É o que hora acontece. A temperatura normalmente elevada nesse período do ano e sob efeito das mudanças climáticas torna-se mais alta em decorrência dos focos de foco e da falta de áreas mais arborizadas, como se verifica em Manaus.
Até quando a lógica será esta que estamos vivendo? Naturalizar o cenário atual – com registro de maior volume de focos de incêndio – é dizer sim a um tipo de vida em permanente ameaça e deplorável. Crianças, idosos e doentes são os que mais sofrem e correm riscos de morrer. Os mais pobres, por essa condição, são os que têm dificuldades para acessar os atendimentos médicos, ter uma dieta alimentar adequada bem como meio e transporte e moradias apropriados.
O resultado não é apenas assistir o fogo se alastrando, e sim saber que esse fogo abundante comunica a morte de espécies vegetais, animais, a agonia de espécies que não conseguem se afastar do fogo e do próprio humano.