O futuro da hidrovia do Madeira
Mesmo com todos os problemas, a hidrovia do Madeira – uma das mais importantes da região – segue batendo recordes de movimentação de cargas.
É inaceitável que, mesmo tendo a maior rede de rios navegáveis do mundo, a Amazônia ainda não explore plenamente o potencial de transporte por hidrovias. Apesar de limitações como a sazonalidade dos rios, com secas e cheias cada vez mais severas, a principal dificuldade à navegação, apontam especialistas, é a ausência dos investimentos necessários em dragagens e construção de terminais portuários adequados. Mesmo com todos os problemas, a hidrovia do Madeira – uma das mais importantes da região – segue batendo recordes de movimentação de cargas. Só no ano passado, o transporte de mercadorias pelo rio Madeira cresceu mais de 20% em relação ao ano anterior, movimentando 12,1 milhões de toneladas.
O volume de carga transportada poderia ser bem maior caso o rio passasse por obras de dragagem em trechos específicos e fosse devidamente sinalizado, entre outras providências. Sem tais intervenções, a hidrovia permanece subaproveitada. Para enfrentar a questão, o governo federal estuda a possibilidade de conceder a administração da hidrovia à iniciativa privada, que ficaria responsável pela execução dos trabalhos e pela manutenção. Com isso, a estimativa do governo é que o total de cargas transportadas pelo Madeira ultrapasse 21 milhões de toneladas por ano.
Há os poréns: o projeto prevê cobrança de uma tarifa de R$ 0,80 por tonelada transportada, com isenção para ribeirinhos e pescadores. Também há questões ambientais envolvendo os impactos da dragagem e do aumento da movimentação de embarcações sobre a fauna do rio e a vida das comunidades tradicionais. São aspectos que devem ser muito bem discutidos, inclusive com os ribeirinhos.
A vocação amazônica para o transporte por hidrovias é inegável. Trata-se de um modal com largas vantagens: tem custos operacionais muito menores, que o tornam até oito vezes mais barato que o rodoviário, por exemplo. Além disso, há alta capacidade de carga com menor consumo de combustível e maior segurança contra roubos. Isso sem mencionar a questão da sustentabilidade, pois emite menos poluentes. Que o debate sobre a concessão da hidrovia ocorra com celeridade e máxima responsabilidade.