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A Crítica
Opinião

O INSS é um sinal do descaso

Publicado em 16/09/2020 às 12h29 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h02
O INSS é um sinal do descaso

O espetáculo grotesco proporcionado aos brasileiros que buscaram, na segunda-feira, as agências do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) é um dos termômetros da falta de respeito com que é tratada a nação. Uma das áreas de sensibilidade profunda na administração pública brasileira, as questões que estão afeitas ao guarda-chuva do INSS dizem respeito direito à vida da pessoa, por isso, qualquer tomada de decisão em relação a esse instituto precisa ser decidida com responsabilidade e o bom manuseio das informações do quadro de pessoas que utilizam os serviços do órgão e deveriam ser parte de um banco de dados próprio da Previdência Social.

Há um gesto, positivo, o pedido de desculpas feito nacionalmente, pelo presidente do INSS e a atitude de assumir a responsabilidade da série de erros cometidos. É uma posição não normal, quase sempre a tradição administrativa nessas áreas encontra outros culpados e os criminaliza. Da atitude de reconhecer as falhas, assumir a culpa, à de enfrentar o problema produzido e assegurar aos desesperados por respostas aquilo que os aflige tem uma distância enorme. O que será feito a partir dos estragos patrocinados pelo governo?  E quando será feito?

A multidão de pessoas que depende das respostas do INSS não pode aguardar ou ter a agonia em que vive manipulada da maneira como está, aos jogos das instâncias de poder, sujeita a falhas de impacto enorme no cotidiano de suas vidas. O nível de conhecimento acumulado, as tecnologias disponíveis na estrutura da administração pública necessitam ser mensuradas para ver o que em que nível elas estão e como vêm sendo utilizadas. No caso do INSS e, um pouco antes, das filas nas agências da Caixa Econômica, apontam para um nível primário do uso dessas tecnologias a fim de dinamizar os serviços.

O irônico é que as peças de publicidade governamental fala dos avanços realizados, da redução de filas e do atendimento ágil aos cidadãos. Gasta-se muito dinheiro público para construir um discurso de modernidade administrativa e, na prática, a maioria dos brasileiros é submetida a experiências ruins na busca dos serviços, como se o Pais, uma das oito maiores economias do mundo, ainda estivesse na primeira fase do século passado no que se refere ao acesso e utilização dos avanços tecnológicos.